• Imagen 1 STEVE JOBS, AS COISAS QUE NINGUÉM DIZ
    Quão honestamente a sua vida é avaliada.

Terremoto de magnitude 8,9 atinge o Japão


Um forte terremoto de magnitude 8,9 afetou vastas áreas no nordeste do Japão nesta sexta-feira e provocou um tsunami de 10 metros de altura que arrasou casas, prédios e áreas agrícolas, deixando pelo menos 60 mortos. Outras 56 pessoas estão desaparecidas. Em Sendai, entre 200 e 300 mortos foram encontrados afogados após o tsunami, mas estas mortes ainda não foram contabilizadas no balanço oficial.


O governo japonês declarou estado de emergência na usina nuclear de Fukushima e outras três centrais atômicas foram fechadas. Ao menos 2 mil pessoas foram retiradas de áreas próximas após as autoridades não terem conseguido resfriar o combustível nuclear. Não há, no entanto, segundo os oficiais responsáveis, vazamento radioativo.

Fábricas e refinarias foram fechadas e milhões de pessoas estão sem energia elétrica. Há cerca de 80 incêndios provocados pelo terremoto, um deles em uma refinaria. O aeroporto de Narita, o maior do país, chegou a ser fechado, mas já foi reaberto. O tremor também paralisou em todo o país os serviços do "shinkansen", o trem-bala japonês, segundo a companhia ferroviária JR East. Um trem com passageiros desapareceu na área afetada pelo tremor.

O primeiro-ministro Naoto Kan disse a políticos que eles precisam "salvar o país" após o desastre. "O terremoto causou diversos danos em vastas áreas do norte do Japão", afirmou.

Foi o maior terremoto no Japão desde que começaram a ser registrados, há 140 anos e o sétimo pior da história. O tremor principal aconteceu às 2h46 de Brasília, com epicentro a 130 quilômetros de Sendal, na ilha de Honshu, e com profundidade de 24,4 quilômetros, na mesma região onde há dois dias ocorreu um terremoto de 7,3 graus que não deixou vítimas.


Site do ESTADÃO

Merval e Mainardi: próximos de Serra e EUA


Não havia muitas dúvidas de que Merval Pereira e Diogo Mainardi fizeram de suas colunas (em “O Globo” e “Veja”) um espaço aberto a serviço de Serra, durante a campanha de 2010.

Mas não se sabia que eles cumpriram também o papel de correia de transmissão entre o serrismo e os EUA.

Textos publicados por Maria Frô e Miguel do Rosário no blog Gonzum mostram as relações estreitas entre os jornalistas e o Consulado dos EUA no Rio. Tudo baseado em telegramas do wikileaks, repassados com exclusividade a um grupo de blogs (entre os quais se encontra esse Escrevinhador).

Aqui, a tradução dos telegramas no blog da Maria Frô:

WikiLeaks
24) CABLEGATE DE HEARNE
246840/ 2/2/2010 19:13/ 10RIODEJANEIRO32/ Consulate Rio De Janeiro/ NCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY
Excertos dos itens “não classificados/para uso exclusivamente oficial” do telegrama 10RIODEJANEIRO32.

A íntegra do telegrama não está disponível.

ASSUNTO: Ideias sobre possíveis candidatos a vice-presidente para José Serra


RESUMO. 1. (SBU) Observadores políticos e atores do PSDB no país entendem que há possibilidade de candidato do PSDB à presidência (na dianteira, nas pesquisas de intenção de voto) convidar a candidata Marina Silva, do Partido Verde, para sua chapa, como vice-presidente. Embora pareça pouco provável, nesse ponto, que Marina Silva aceite esse papel, muitos creem que, pelo menos, ela apoiará Serra num eventual segundo turno contra a candidata do PT Dilma Rousseff. Apesar de a hipótese Marina não estar descartada, analistas do PSDB veem, como cenário mais provável, que o governador de Minas Gerais, Aecio Neves (PSDB) venha a completar a chapa com Serra, como candidato à vice-presidência, apesar de Neves já ter declarado publicamente que concorrerá ao Senado. Mas, com a vantagem de Serra encolhendo nas pesquisas recentes, ressurge a especulação de que Serra possa renunciar a favor de Neves como candidato do PSDB. Até aqui, Serra é o candidato mais provável, e muitos dos nossos interlocutores declararam que uma chapa Serra-Neves seria o melhor caminho para Serra enfrentar com chances de sucesso os esforços do presidente para traduzir sua popularidade pessoal em votos para Dilma Rousseff, na sucessão. FIM DO RESUMO.


NO RIO, ANALISTAS DISCUTEM ALTERNATIVAS PARA A VICE-PRESIDÊNCIA


2. (SBU) Em almoço privado dia 12 de janeiro, o importante colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que a recente coluna [de Mainardi] na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.


Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rouseff (PT) em desvanagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponto de lança de ataque em sua campanha. Apesar disso, Mainardi não acredita que Marina associe-se a Serra, porque está interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência. Mas Mainardi disse que crê – como também Serra – que Marina Silva pode bem vir a apoiar Serra num eventual segundo turno contra Dilma.


3. (SBU) Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais Aecio Neves dissera a Mainardi, no início desse mês, que Neves permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice, na chapa de José Serra. (Nota: Dia 17/12/2009, Neves declarou oficialmente encerrada a discussão sobre sua pré-candidatura à presidência e mostrou interessem em concorrer como vice-presidente [referido em outro telegrama. FIM DA NOTA).


Apesar das declarações públicas de que concorrerá ao Senado, Mainardi disse que Neves planeja esperar um cenário no qual o PSDB, talvez à altura do mês de março, convide Neves para compor a chapa, com vistas a aumentar a chance do partido contra Dilma. As ambições pessoais de Neves e seu desejo, intimamente ligado àquelas ambições, de não atrapalhar o PSDB nas próximas eleições, levariam Neves a compor a chapa, ao lado de Serra – na opinião de Mainardi.


É a mesma opinião de Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, o maior do Rio de Janeiro, que se reuniu com o Cônsul dia 21/1. Pereira disse ao cônsul que tivera uma conversa com Neves na véspera, na qual Neves dissera estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice-presidente, na mesma chapa.


Na opinião de Merval Pereira, uma chapa Serra-Neves venceria. Pereira disse também acreditar que não só Neves aceitará a vice-presidente de Serra, mas, também, que Marina Silva também apoiaria Serra num eventual segundo turno.
(…)


RELAÇÕES PERIGOSAS

Bastante esclarecedor o conteúdo de um dos telegramas mais polêmicos revelados pelo Wikileaks até agora, que mostra como o então candidato a presidente José Serra (PSDB) operou junto a certos membros da imprensa durante as eleições de 2010. E também sobre como jornalistas de veículos notórios por sua oposição ferrenha ao PT se prestam ao papel de correia de transmissão entre o tucanato e o Departamento de Estado norte-americano, compartilhando informações diretas do candidato da oposição e suas previsões sobre o desfecho das eleições brasileiras.

O plantio de informações favoráveis a sua candidatura por parte de Serra em colunas tradicionais de jornais brasileiros é desnudada no diálogo entre os profissionais e o cônsul norte-americano no Rio. Em um dos contatos de um jornalista com o consulado, em janeiro de 2010, o colunista revela que almoçou com Serra e que o candidato disse que Marina Silva (PV) seria sua “companheira de chapa dos sonhos”. Os motivos, de acordo com o que teria dito o tucano, seriam agregar apoio de parte do eleitorado de esquerda, ganhar a simpatia dos pobres e descolar sua imagem da do governo de Fernando Henrique Cardoso.

São exatamente os mesmos argumentos que o colunista publicou a título de análise pessoal em seu espaço em uma revista semanal de grande circulação, na mesma época: o texto foi ditado por Serra, em clara exaltação à possibilidade de que uma “chapa cabocla” fosse capaz de bater o PT nas urnas.

Cabe lembrar que, à época, ainda articulava-se muito fortemente sobre a possibilidade de que o então governador de Minas Gerais e hoje senador Aécio Neves (PSDB) viesse a compor uma “chapa pura” com Serra. O tucano paulista, confiante por estar à frente nas pesquisas de intenção de voto, começou ali a boicotar o colega de sigla –mais carismático e menos centralizador, que ameaçava a posição de Serra como líder do PSDB.

A essência do tipo de política que Serra pratica está nesse trecho de correspondência da diplomacia norte-americana: manipulação de informações por meio de aliados no seio da grande imprensa, maquinações contra aliados e, principalmente, um discurso enganoso para o eleitorado. Afinal, quantas vezes ele protestou quando era acusado de estar tentando esconder a “herança maldita” do governo FHC, do qual foi um dos principais expoentes? Pois disse, ao colunista, que queria Marina como vice; ex-ministra do governo Lula, ela permitiria que ele não fosse identificado como aliado do ex-presidente tucano, mas, sim, um defensor da continuidade do governo petista –o que nunca foi.

A promiscuidade das relações entre Serra, seu partido e parte da grande imprensa é um acinte contra a liberdade de escolha do cidadão, porque o induz ao erro tanto na hora do voto quanto na avaliação do trabalho do governo, a partir do que é publicado nos veículos que abrem mão de critérios éticos de apuração para publicar seus “ditados”.

Temos ciência dessas informações, hoje, graças à internet: em primeiro lugar ao Wikileaks, que vêm prestando relevante serviço público ao divulgar informações confidenciais da diplomacia norte-americana, e em seguida à rede de blogs que trabalha para esfacelar o discurso único, imprimindo pluralidade à comunicação de massas no Brasil.

Nas eleições, quando a central de boatos da oposição estava a mil para atingir Dilma Rousseff com calúnias de toda natureza, foram esses corajosos produtores de informação que desfizeram a trama de mentiras. Agora, consolidados como alternativa para a obtenção de informações, seguem contribuindo para que as práticas mais arcaicas e antiéticas da política brasileira sejam escancaradas ao público e percam a efetividade.

José Dirceu, 64, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

Aécio quer acabar com o Bolsa-família, entregando o dinheiro na mão de coronéis políticos

O senador Aécio Neves serviu como garoto-propaganda da cerveja Devassa, no carnaval.
O demo-tucano vestiu a camisa da cervejaria, literalmente.
No ano passado, a garota-propaganda da cerveja foi a modelo estadunidense Paris Hilton, que andou exagerando na bebida e fazendo performances desastrosas.

BOLSA FAMÍLIA

O senador demo-tucano Aécio Neves (PSDB/MG) sugeriu acabar com o Bolsa-família no formato atual.

Ele declarou ao jornal Estadão:

"A questão do Bolsa Família acaba com os prefeitos que querem intermediar as políticas sociais e ficam de fora".

Essa história de "querer intermediar..." é o tipo de coisa que mais dá trabalho à Polícia Federal, e a CGU (Controladoria Geral da União), em escândalos de corrupção com verbas repassadas.

O demo-tucano está regredindo ao tempo dos coronéis políticos, que submetiam o povo a passar fome, e confundiam, de propósito, direitos do cidadão com favores materiais em troca de voto.

Os coronéis pegavam dinheiro público para distribuir cestas básicas e coisas do gênero, escolhendo a dedo quem receberia, sem regras claras.

Os desonestos davam sumiço, pelo menos em parte, no dinheiro. Os honestos, ainda assim, não conseguiam fazer chegar a todos que precisavam, nem a tempo de não passarem fome. E ainda criavam uma relação de dependência material em troca de votos, em vez da situação de altivez do cidadão, atualmente, que porta um cartão do Bolsa-família porque tem direito à ele, e não por favor de ninguém.

O sucesso e os bons resultados do Bolsa-família, reconhecidos mundialmente, está justamente em entregar o dinheiro diretamente na mão da cada família (geralmente para a mãe), sem intermediários e sem desvios.

Os prefeitos já tem um papel importante nesse processo: fazer e manter o cadastro dos beneficiários que vivem em sua cidade.

Prefeito que é honesto, e que não é adepto do coronelismo político, tem coisas muito mais importantes a fazer e reivindicar na área social, do que estragar um programa exemplar: providenciar terrenos seguros e bem localizados para a baixa renda no "Minha Casa, Minha Vida", apresentar projetos de saneamento básico, comprar merenda escolar da agricultura familiar, contratar cooperativas de catadores para recolher e reciclar o lixo, em vez de só contratar grandes empreiteiras, fazer projetos de creches, UPA's, escolas técnicas, cidades digitais para banda larga, melhorar aplicação de verbas e salários dos professores na educação municipal, combater desvios e desperdícios no SUS e na educação, etc, etc, etc...

BLOG OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Cantando na areia



Antes elas se apresentavam em Las Vegas sem se incomodar com o jamegão de um mafioso no contracheque. Depois passaram a gravar comerciais no exterior, promovendo até produtos de que nunca ouviram falar. Há quatro anos, descobriram um novo mercado de trabalho: shows particulares para ditadores africanos e sua parentela. Com a indústria de discos fazendo água por todos os sulcos, os tiranos foram recebidos como um presente de Euterpe. Só a família Kadafi contratou os serviços de meia dúzia de estrelas pop, nos últimos quatro anos.

Gene Kelly cantava na chuva. Beyoncé, Mariah Carey, Nelly Furtado, Lionel Richie e os rappers Usher e 50 Cent foram cantar nas areias da ilha caribenha de St Barts, a soldo dos Kadafi Boys. A opção seria a areia do Saara. Cachês milionários. A gostosona Beyoncé levou US$ 2 milhões para se exibir cinco vezes no réveillon passado. Mariah faturou a metade por quatro números. O WikiLeaks não especificou a soma embolsada pelos rapazes, mas ninharia não foi: 50 Cent, que já dissera a que veio ao trocar o tráfico de drogas pelo show business e gravar um álbum intitulado Get Rich or Die Tryin’ (Fique rico ou morra tentando), só gosta de centavo no nome.

Se a repressão sob a qual vivem as mulheres líbias em algum momento constrangeu Beyoncé, só ela ou seus próximos podem esclarecer. O fato é que, até agora, apenas Nelly Furtado desculpou-se por sua ganância e falta de consciência. “Em 2007, eu recebi US$ 1 milhão do clã dos Kadafis para fazer um show de 45 minutos para convidados num hotel na Itália. Vou doar tudo” - tuitou a cantora luso-canadense, no início da semana. Para que instituição de caridade, não informou.

Também nas encolhas permaneceram a cantora Kesha (contratada pelo tirano Robert Mugabe para animar uma festa anual no Zimbábue) e os rappers Chris Brown (atração no palácio real da Arábia Saudita) e Eminem (principal nome de um espetáculo soi-disant beneficente patrocinado por Asayas Afwerki, aquele que adiou por 40 anos as eleições na Eritreia).

Às cobranças mais frequentes na internet (o que se esperar de celebridades que raciocinam com o bolso e só olham para o próprio umbigo? Como artistas tão ignorantes e alienados poderiam saber do que se passa na África?), acrescento outra: não dá para acreditar que o “rebelde” Eminem desconhecesse o currículo de Afwerki.

Confesso que fiquei mais impressionado com as preferências musicais dos ditadores (lorde Acton diria que até o gosto musical o poder absoluto corrompe absolutamente) do que com o comportamento insensato dos artistas citados, de resto, uma tradição no show business. Maurice Chevalier, Jean Cocteau e Sacha Guitry se esbaldaram com os nazistas, Elis Regina cantou o Virundu para o general Médici. Sim, eram de outro nível os inocentes e os oportunistas de antanho. A indulgência que as estrelas pop, por sua ignorância, talvez mereçam não se aplica aos experts e políticos que, por interesses vários, a maioria inconfessáveis, se aliaram aos sobas de todos os quadrantes da África e neles puseram asas.

Em represália ao atentado a uma discoteca berlinense por terroristas líbios, em 1986, Ronald Reagan oficializou a demonização de Kadafi, tachando-o de bárbaro e inimigo dos Estados Unidos. Em 2008, com outro republicano na Casa Branca, todas as barbaridades cometidas ou estimuladas pelo coronel foram indultadas. Obcecado com a guerra ao terrorismo e de olho gordo no petróleo, Bush, que dois anos antes suspendera o boicote econômico à Líbia, estendeu o tapete vermelho para Kadafi tão logo o ditador prometeu suspender seu programa nuclear. Em questão de horas, US$ 2,5 bilhões em petróleo saíram de Trípoli para os Estados Unidos. Nos meses seguintes, as exportações americanas para a Líbia subiram 419%.

A acochambração com a ditadura de Kadafi foi uma vitória de um poderoso grupo de lobistas a serviço de corporações ligadas ao petróleo (BP, ExxonMobil, Halliburton, Chevron, Conoco, Marathon Oil), à indústria da defesa (Raytheon, Northrop Grumman) e a multinacionais do porte da Dow Chemical and Fluor, que só tinham a perder com a Líbia na lista negra. Todas elas faturaram horrores no feudo de Kadafi, nos últimos três anos.

Já devíamos estar acostumados à prevalência da “moral do lucro”, mas porque somos bobos e românticos seu triunfo sempre nos surpreende e aturde. E o que dizer da ainda mais perturbadora falta de solidariedade de negros americanos não ligados ao show business com seus irmãos africanos? Sei de pelo menos quatro renomados afro-americanos que, nas últimas quatro décadas, comportaram-se de forma deplorável no trato com ditadores africanos.

O reverendo Jesse Jackson visitou a Nigéria em 1983 e salpicou de lantejoulas o general de plantão, Ibrahim Babangida. O cleptocrata nigeriano suprimira a oposição, fechara jornais independentes e transformara o país num entreposto de drogas, e o reverendo só se referindo a ele como “um dos maiores líderes do mundo moderno”. Claro que havia mufunfa na lambição: além das mordomias da viagem, Jackson ganhou algumas centenas de milhares de petrodólares para seus “programas sociais”.

Na década seguinte, a senadora negra Carol Moseley Braun fez o mesmo com o general da vez, Sani Abacha, bem mais feroz que o anterior. Depois, arrependeu-se e pediu desculpas, contrição que não se deve esperar do guia espiritual da Nação do Islã, o inacreditável Louis Farrakhan, amigo de todos os sacripantas africanos, em especial de Kadafi, que já o mimoseou com um prêmio no valor de US$ 250 mil, nem de Roy Innis, velho líder do Congresso Pela Igualdade Racial, comensal e promoter do finado canibal ugandense Idi Amin. Innis é um salafrário de primeira ordem. Com uma agravante: não tem as pernas da Beyoncé.

Dilma com Ana Maria Braga: a estratégia, a imagem e a notícia


Quando a presidenta Dilma foi à cerimônia de 90 anos da Folha de São Paulo, na semana passada, causou mal-estar em todos nós que apoiamos o governo Lula e a candidatura dela, contra o jornalão. Mas, como estratégia política, ela estava certa.

Ela colocou no bolso a oposição demo-tucana paulista e o PIG (Partido da Imprensa Golpista). A oposição, que já está na UTI, ficou menor ainda, foi desarmada, com ela sendo o centro da festa em pleno reduto oposicionista. De quebra, Dilma tomou a bandeira da liberdade de imprensa, daqueles que a criticavam justamente por isso.

Se nós sentimos mal-estar, pior foi para os reacionários demo-tucanos verem FHC, Alckmin, José Serra fazerem fila para beijar a mão da presidenta. Pior para eles foi ver FHC pedir audiência àquela que ele chamava de "poste". A oposição sentiu o golpe, tanto que enquanto nós aqui discutimos abertamente, eles simplesmente abafaram o caso, tratando com descrição para reduzir danos.

O que dá prestígio a um jornal não é cerimônias como estas, por mais gente importante que compareça. O que dá prestígio a um jornal são notícias exclusivas. É preciso notar que Dilma não concedeu ao jornalão nenhuma entrevista exclusiva, nem antecipou nenhuma notícia do governo que pudesse ser manchete.

Dilma também será vista na Rede TV, onde gravou entrevista para a estréia do Programa da Hebe Camargo; e na TV Globo, no programa de Ana Maria Braga, gravado hoje, e que deve ir ao ar amanhã, em comemoração pelo Dia Internacional da Mulher.

Desta vez a Presidenta gravou entrevista (diferente do que fez na Folha), mas de novo, dosou a "ração" que oferece ao PIG. Pelo que antecipa o G1 (das organizações Globo), também não haverá "furos", sendo uma conversa sobre amenidades, inclusive culinárias.

Obviamente que a Globo gostaria de uma entrevista da Presidenta no horário nobre, em um programa como o Fantástico, mas Dilma concedeu para um programa de nicho e para uma apresentadora que manteve-se isenta durante a campanha eleitoral (mesmo que tenha servido à oposição no passado como militante do fracassado movimento Cansei).

A imagem

Os telespectadores (na maioria telespectadoras) terão a oportunidade de prestar atenção no que ela diz, em vez do que dizem dela. Para o perfil da audiência desses programas, não é uma má decisão a Presidente aparecer como ela é.

É bastante provável que uma boa parte das telespectadoras destes programas tenham formado uma imagem deturpada da Presidenta pelo que ouviram dizer de homens que acompanham a política, e passem a ficar com uma boa imagem dela.

O problema é conseguir ganhos de imagem pelo lado do PIG, e perda da imagem junto à militância aguerrida do outro lado do PIG, que tem se sentido preterida, conforme inúmeros comentários sinceros na última semana, aqui e em diversos outros blogs.

O governo que Dilma está fazendo é, em essência, o que Lula faria se tivesse um terceiro mandato. As decisões que Dilma está tomando, tirando uma escolha ou outra, são as mesmas que Lula tomaria. Então, por que essa percepção não está chegando à militância?

Alguma coisa precisa ser feita para não baixar o moral da militância e não desestimular a mobilização conquistada, sem querer.

A notícia

A democratização dos meios de comunicação passa pela democratização da interlocução, e isso independe de novos marcos regulatórios. Depende da comunicação governamental diversificar os interlocutores com a sociedade.

Quantas vezes vimos no governo Lula, o presidente e a própria Dilma quando ministra, concederem entrevistas coletivas, e todo o PIG pinçarem trechos fora do contexto para usarem contra eles?

Era a blogosfera quem tinha que procurar a entrevista inteira e desmentir as artimanhas do PIG, travando uma verdadeira guerra pelo livre fluxo das notícias, sem a censura e manipulação do PIG.

O PIG teve sua lua-de-mel até com Lula no início do mandato, em 2003, quando as empresas de mídia estavam falidas e tentavam socorro no BNDES. Depois detonou-o, quando não conseguiram socorro, e conspiraram abertamente com um noticiário seletivo no "mensalão".

É natural que o PIG tenha sua lua-de-mel com Dilma, agora no início do mandato, e que Dilma explore bem essa boa relação neste período, até como estratégia de fortalecer-se para batalhas futuras.

Mas é importante nunca perder o foco de fortalecer as outras mídias que fazem contraponto ao PIG, nem desmobilizar a militância, porque elas serão necessárias na hora em que a oposição sair da UTI, já nas eleições de 2012, e mais ainda quando despontar um candidato das elites realmente viável para 2014 (até mesmo dissidente da base governista), certamente apoiado pelo PIG.


Blog Os Amigos do Presidente Lula

Vale-tudo é apenas pancadaria e não um esporte


Quem gosta de lutas de vale-tudo (o tal UFC) devia levar umas porradas para aprender. Cães e galos de briga são mais civilizados que esses pseudoatletas da violência. Só toureiros conseguem ser mais selvagens.

Na primeira vez que vi, de relance, aqueles trogloditas suados se agarrando no chão, levei um susto. Imaginei se tratar de algum pornô gay bem barra pesada. Só depois entendi estar diante de algo realmente obsceno.

A imagem diz tudo. O cara que quebrou o nariz do brutamontes abaixo devia sair do ringue direto para a delegacia:

Não por acaso, esses rapagões sanguinários adoram parecer gladiadores. Só falta, ao final da luta, os juízes ordenarem, com o polegar para baixo, que o perdedor seja decapitado. Incrível ainda não terem pensado nisso.

É óbvio que os espectadores que ficam histéricos ao redor praticam algum ritual primitivo. Devem se imaginar no tempo das cavernas, comendo carne crua com as mãos e uivando pra lua.

Não estou defendendo a proibição de nada. Por que seria contra dois marmanjos se espancarem até sangrar? Gostar de apanhar na cara é um direito de qualquer casal.

Até reconheço que há uma função social nessa carnificina. Eles podiam estar matando, podiam estar roubando, mas não. Antes ali, presos numa jaula, do que soltos na rua, sem emprego.

Sei que tem gosto pra tudo. Vê quem quer. Eles que quebrem seus ossos em paz. Só não venham me dizer que isso é um esporte. Não é.

O Provocador - R7

A exploração da tragédia: o caso Luciano Huck






Luciano Huck é sócio do Peixe Urbano, um site de compras coletivas. Em dezembro último, o apresentador da Globo usou o Twitter para tentar bater o recorde de vendas de cupons no site:

O apresentador Luciano Huck – agora sócio do site de compras coletivas Peixe Urbano - usou pela primeira vez o Twitter para impulsionar a venda de cupons de desconto – e quase conseguiu o que queria: superar o recorde de vendas do site."


http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/08/luciano-huck-ja-usa-o-twitter-para-vender-seu-peixe/

Ontem, ele postou esta mensagem no Twitter:

Luciano Huck

"Quer ajudar, e muito, as vítimas da serra carioca [sic]. Via @PeixeUrbano, vc compra um cupom e a doação esta feita. http://pes.ca/gZ2Ibb"

http://twitter.com/#!/huckluciano/status/26377814122962944

A compra dos cupons, segundo o site, reverterá em benefício de duas ONGs que estão ajudando as vítimas das enchentes. Parece bonito, mas não é.

Primeiro, é necessário ir ao site do negócio de Luciano.

Depois, é preciso se cadastrar no site. E então comprar um ou mais cupons de R$10,00.

Ganha Luciano porque divulga o seu negócio (mais de 7.000 RTs até agora), cadastra milhares de novos usuários em todo o Brasil, familiariza esses usuários com os procedimentos do site, incentiva o retorno e aumenta absurdamente o número de cupons vendidos – alavancando o Peixe Urbano comercial, financeira e mercadologicamente. Além do ganho de imagem por estar fazendo um serviço público (li vários elogios nos RTs).

Sabe-se lá como será contabilizado ou fiscalizado o total recebido como doação e repassado para as duas organizações parceiras. O usuário não tem nem terá acesso a esses dados internos.

Supondo que todo o montante arrecadado chegue às vítimas, se for mesmo o que estou entendendo, trata-se da mais sórdida exploração da desgraça alheia que já presenciei em toda a minha vida.

As pessoas que estão doando seu dinheiro, seus produtos, seu tempo, suas habilidades e sua atenção aos desabrigados e às vítimas não estão pedindo nada por isso, não estão ganhando nada com seu gesto de solidariedade, não estão usando essa tragédia para obter nenhuma forma de lucro pessoal. Fazem o bem porque são humanas, ficaram chocadas com as imagens e as informações, se sensibilizaram com o sofrimento alheio. Ajudam por solidariedade, empatia e até por desespero.

E a maioria delas não tem quase nada na vida, em comparação com o apresentador da Globo.

De todas as iniciativas já divulgadas até o momento, só a de Luciano Huck visa primeiramente ao lucro pessoal, para depois, secundariamente, resultar numa ajuda social.

Quando um tsunami matou 200 mil pessoas no sudeste da Ásia, em 2004, recebi um e-mail de um escritor inglês pouco conhecido, no qual se fazia a oferta: "Compre um dos meus livros, e eu doarei 30% do valor para as vítimas da tragédia". Saí da lista do explorador barato na hora, mas a favor dele contava o número reduzido de destinatários da mensagem.

Luciano Huck tem 2.600.000 seguidores no Twitter: é este o público-alvo do seu apelo interesseiro. Pode não bater o recorde de cupons, desta vez, mas temo que tenha batido o recorde da safadeza. Aceito argumentos que me provem o equívoco dessa suspeita.

Depois dos R$24 milhões entregues pelo Estado à Fundação Roberto Marinho, dinheiro originalmente destinado à contenção de encostas e às obras de drenagem, mais esta. Turma da Globo, vocês pensam que estão apenas lucrando com as águas, mas na verdade podem estar brincando com fogo.

Por O Escritor, no blog do Nassif

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