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O círculo da direita se fecha: teocracia, censura nas redações, ideologia do medo


É evidente que essa temática religiosa não é o que interessa para o Brasil. Mas se Serra escolheu o obscurantismo, é preciso mostrar isso à população. A esquerda, tantas e tantas vezes, foge dos enfrentamentos. Acho que desse enfrentamento não deveria fugir. Ciro Gomes disse -de forma muito apropriada - que o discurso de Serra é o caminho para um regime teocrático. O Brasil precisa que se faça esse debate.Do lado de Serra, certamente ficará muita gente. Mas tenho certeza que do outro lado ficará o que há de civilizado nesse nosso país. Há espaço para uma centro-direita civilizada no Brasil. Mas essa direita que avança com Serra não merece respeito. Merece ser combatida.

Rodrigo Vianna

Com a generosa ajuda da velha mídia brasileira, e uma mãozinha da candidatura de Marina Silva, Serra conseguiu pautar a reta final do primeiro turno e o inicio do segundo turno com uma temática religiosa.

É um atraso gigantesco para o Brasil.

Parte dos apoiadores de Dilma acha que a campanha do PT deve fugir desse debate, recolher apoios de evangélicos e católicos, e rapidamente mudar de assunto.

Penso um pouco diferente.

É evidente que essa temática religiosa não é o que interessa para o Brasil. Mas se Serra escolheu o obscurantismo, é preciso mostrar isso à população. A esquerda, tantas e tantas vezes, foge dos enfrentamentos. Acho que desse enfrentamento não deveria fugir.

Por que ninguém do PT é capaz de dar uma resposta a Serra, deixando a Ciro Gomes a tarefa de pendurar o guiso no gato? Ciro disse -de forma muito apropriada - que o discurso de Serra é o caminho para um regime teocrático. Vejam:

A Falha de S.Paulo e o João Valentão

Todo mundo tem um trauma de infância. Até hoje, tenho pesadelos com o João Valentão. Ele era o filho do jornaleiro da rua, um pirralho malvado e briguento que aterrorizava todo mundo na vizinhança.

Agia como se fosse o dono da bola e mandava no pedaço. Só brincava quem ele deixasse, o jogo que ele escolhesse, com regras que ele mesmo inventava. Se fosse contrariado, chorava feito um bebezão e depois partia pra porrada. Ganhava todas as discussões, claro.

Criança mimada é assim: quer tudo só pra ela. Não sabe dividir nada e acha que sempre tem razão. Não ser educado dentro de casa dá nisso.

Lembrei do João por causa da Folha de S.Paulo. É um grande jornal. Mas não soube crescer e virou um marmanjo, só que metido a valente e chorão.

Tanto que acha que liberdade de expressão é um brinquedinho de uso pessoal e intransferível. Não deixa ninguém nem chegar perto. Abre o berreiro.

Foi assim com a dupla de jovens jornalistas que criou o site Falha de S.Paulo, uma paródia divertida que esculhamba a opção envergonhada do jornalão pela candidatura de Serra.

A brincadeira não ficou nem duas semanas no ar. A Folha ficou de birra e mandou papai acionar um batalhão de advogados para fechar o playground alheio.

Como todo moleque dissimulado, fez biquinho e disse pro titio juiz que estavam usando a marca do jornal. Censura? Nananinanão, declarou a empresa que se considera independente, apartidária e ruralista. Ou algo assim.

No site interditado, há um editorial que diz: "Todos ainda poderão ser satirizados, menos vocês. Todos merecem liberdade de imprensa, menos quem não é da sua turma."

No meu bairro, cada um chamava sua patota e acertava tudo no meio da rua. Mas criança mimada só se arrisca quando o irmão mais velho está junto. Queria ver brigar com alguém do seu tamanho.

O Provocador

Quando os tucanos pedem censura

Este é o aspecto curioso deste episódio. Os tucanos acusam os petistas de pressionar a imprensa para não publicar notícias desagradáveis. Mas, na hora da dificuldade, é o PSDB quem parte para a truculência.

Por Paulo Moreira Leite - Revista Época (Organizações Globo)

Menos de uma semana depois que o PSDB promoveu um ato de protesto em defesa da liberdade de imprensa, no Largo São Francisco, em São Paulo, Mauro Paulino, diretor do DataFolha, escreve no jornal:

“Enquanto o PT vociferava contra os excessos da imprensa, o PSDB opunha-se concretamente ao direito constitucional de livre acesso à informação, censurando divulgações de pesquisas no Paraná. A pedido do candidato tucano Beto Richa, os juízes do TRE local proibiram os institutos de divulgar seus resultados. A decisão transforma o Paraná em um sombrio laboratório da classe política em seu anseio de reservar essas informações apenas para consumo próprio. Aos eleitores, cobaias da desinformação, oferecem em troca a boataria das porcentagens.”

Cureau, a censora


Quem deveria zelar pela lisura do embate eleitoral endossa a caluniosa afronta que há tempo é cometida até por colegas jornalistas ardorosamente empenhados na campanha do candidato tucano à Presidência. A ilação desfraldada a partir do apoio declarado, e fartamente explicado por CartaCapital, à candidatura- de Dilma Rousseff revela a consistência moral e ética, democrática e republicana dos acusadores, ou por outra, a total inconsistência. A tigrada não concebe adesão a uma candidatura sem a contrapartida em florins, libras, dracmas. Reais justificados por abundante publicidade governista

Permito-me sugerir à doutora Sandra Cureau, vice-procuradora-geral da Justiça Eleitoral, que volte a se debruçar sobre os alfarrábios do seu tempo de faculdade, livros e apostilas, sem esquecer de manter à mão os códigos, obras de juristas consagrados e, sobretudo, a Constituição da República. O erro que cometeu ao exigir de CartaCapital, no prazo de cinco dias, a entrega da documentação completa do nosso relacionamento publicitário com o governo federal nos leva a duvidar do acerto de quem a escolheu para cargo tão importante.

Refiro-me, em primeiro lugar, ao erro, digamos assim, técnico. Aceitou uma denúncia anônima para proceder contra a revista e sua editora. Diz ela conhecer a identidade do denunciante, acoberta-o, porém, sob o manto do sigilo condenado pelo texto constitucional e por decisões do Supremo Tribunal Federal. Protege quem, pessoa física ou jurídica, condiciona a denúncia ao silêncio sobre seu nome. Ou seja, a vice-procuradora comete uma clamorosa ilegalidade.

2leep.com
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