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WikiLeaks escancara isolamento do Irã


Documentos mostram pressão de países árabes para atuação militar dos EUA contra regime de Ahmadinejad;
Em telegrama de 2008, rei saudita pede ao governo de George W. Bush "que corte a cabeça da serpente"


MARCELO NINIO - Folha de S.Paulo
DE JERUSALÉM

A nova avalanche de documentos confidenciais revelados pelo site WikiLeaks escancarou com todas as letras o temor de alguns dos principais líderes árabes com o programa nuclear do Irã.

O vazamento mostra o que até agora estava restrito aos bastidores: a forte pressão árabe para que os EUA ataquem instalações iranianas.
Não é surpresa que Israel tenha elogiado a publicação. Tampouco que o Irã tenha desqualificado a iniciativa.

Entre os cerca de 250 mil telegramas diplomáticos dos EUA que começaram a ser divulgados pelo WikiLeaks no domingo, estão mensagens que ilustram o conhecido temor de líderes árabes com a perspectiva da bomba atômica iraniana. Com fervor jamais revelado publicamente.

Em um telegrama de 27 de dezembro de 2005, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, é descrito como "desequilibrado" e "louco" por comandantes militares dos Emirados Árabes Unidos ao então chefe do Comando Central norte-americano, general John Abizaid.

Chama a atenção a insistência da Arábia Saudita, um dos países mais influentes da região, para que os EUA considerem uma ação militar. Num telegrama de 2008, o rei saudita, Abdullah, pede ao governo Bush "que corte a cabeça da serpente".

Outros países da região exibem o mesmo alarme. Em comum, a aversão ao presidente iraniano e a preocupação de que os EUA ataquem antes que Israel o faça.

Em uma mensagem de julho de 2009, o ministro da Defesa dos Emirados Árabes, príncipe Mohamed bin Zayed, prevê um ataque israelense até o fim daquele ano e alerta para o perigo de apaziguar o Irã. "Ahmadinejad é Hitler", diz Bin Zayed.

Os governos do mundo árabe mantiveram o silêncio ontem, mas a imprensa repercutiu o vazamento, prevendo que causará turbulências nas relações com o Irã.

O presidente iraniano reagiu com desdém, acusando os EUA de orquestrarem o vazamento: "O Irã e os países da região são amigos".

Uma das informações novas, contidas num telegrama de fevereiro deste ano, é a avaliação da inteligência dos EUA de que Teerã recebeu 19 mísseis da Coreia do Norte com alcance suficiente para atingir as capitais da Europa.

Para Israel, o vazamento prova que o país não está sozinho em sua preocupação com o regime iraniano.

"Pela primeira vez na história há um acordo de que o Irã é a ameaça", disse o premiê Binyamin Netanyahu.

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