• Imagen 1 STEVE JOBS, AS COISAS QUE NINGUÉM DIZ
    Quão honestamente a sua vida é avaliada.

Conheça as primeiras frases enviadas por Twitter, e-mail e torpedo



Muitas frases iniciais são bastante modestas

O Twitter foi lançado há cinco anos, completados nesta segunda-feira, com a mensagem simples de "just setting up my twitter" (algo como "estou preparando meu twitter").

Da mesma forma, muitos avanços tecnológicos que ajudaram a moldar o mundo foram iniciados não de forma solene, mas com palavras simples.

"Tudo bem, estamos em frente aos elefantes", foram as primeiras palavras transmitidas pelo YouTube por Jawed Karim, co-fundador do site em seu vídeo inaugural de 2005.

Seis anos e bilhões de páginas visitadas depois, o YouTube se tornou parte da paisagem midiática, usados tanto por líderes globais e como por donos de animais que fazem coisas divertidas.

Se Karim soubesse o tamanho que seu negócio assumiria, talvez tivesse dado a seu vídeo um senso de ocasião melhor. Talvez não. Afinal de contas, todo fenômeno novo tem que começar de alguma forma.

E agora, para marcar os cinco anos do Twitter, as primeiras palavras de Jack Dorsey, enviadas em 21 de março de 2006, estão sendo relembradas.

Considerando que esse primeiro post levou a bilhões de outros, foi um começo bastante humilde.

Celular

Martin Cooper em 73 (esquerda) e atualmente

Tecnologias mais velhas começaram de forma parecida. Martin Cooper recebeu o crédito de ter feito a primeira ligação de um telefone celular, de uma calçada de Nova York em 3 de abril 1973.

Falando dos EUA, Cooper atualmente com 82 anos de idade lembra como fez a chamada histórica usando um protótipo Dyna-Tac quando era, aos então 45 anos de idade, o chefe de uma equipe da Motorola.

"Chamei Joel Engel, meu rival na AT&T, à época a maior companhia do mundo. Nós éramos uma pequena empresa em Chicago. Eles nos consideravam uma pulga em um elefante", disse Cooper.

"Eu disse 'Joel, aqui é o Marty. Estou ligando de um telefone celular, um verdadeiro e portátil celular'. Houve silêncio do outro lado da linha. Suspeito que ele estava rangendo os dentes", afirma.

Cooper, atual presidente da ArrayComm, disse que a conversa foi curta. Teria ele pensado muito no que dizer?

"Foi espontâneo. Falava com um repórter, tentando pensar em algo inteligente para dizer, como faço agora, quando tive a conversa", diz ele.

"A questão na época não era criar uma revolução, como acabou acontecendo, mas sim competir com a AT&T."

Ele diz que, acima de tudo, esperava que a ligação funcionasse. E depois daquela rápida troca de palavras, uma indústria global de telecomunicações floresceu junto com uma vasta gama de tecnologias que ajudam a determinar como vivemos.

Telefone

Uns cem anos antes de Cooper fazer história, Alexander Bell testava sua nova invenção, o telefone, ligando para seu assistente no quarto ao lado. "Sr. Watson, venha cá. Quero ver o senhor" foram suas primeiras palavras.

Em 1969, Neil Armstrong proferiu algumas das mais famosas e discutidas frases da história quando caminhou pela primeira vez na superfície lunar:"Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade".

O escritor de discursos Max Atkinson diz que estas palavras estabeleceram um padrão, envelhecendo tão bem. Uma das regras de uma grande frase é ela trazer algum contraste, coisa que Armstrong fez brilhantemente.

Atkinson diz que provavelmente a Nasa teve alguma influência no que o primeiro homem na Lua iria dizer. Lançar uma empresa online é diferente e só sabemos se as ideias vão ser bem-sucedidas com o tempo.

Torpedo

O primeiro torpedo para celular foi mandado pelo engenheiro Neil Papworth, então com 22 anos, da empresa Sema, agora Airwide Solutions, em dezembro de 1992 e dizia apenas "feliz Natal".

O atual chefe de tecnologia da Airwide, Terry McCabe, diz que a frase foi corriqueira porque muitos testes anteriores haviam falhado.

"Se fosse responsável por reescrever ela atualmente, faria uma paródia da frase Armstrong: 'uma mensagem breve para um homem, um salto gigante com para a humanidade'".

Ele diz que hoje cinco bilhões de pessoas podem enviar mensagens de texto, mas na época os telefones não tinham essa capacidade. Os torpedos só se popularizaram quando foi possível mandar mensagens entre operadoras e com o surgimento dos fones pré-pagos.

McCabe diz que seria um erro pensar tanto em termos históricos e as palavras mundanas que inauguram tecnologias devem ser admiradas por serem justamente tão modestas.

O primeiro e-mail é um bom exemplo. Credita-se o engenheiro informático Ray Tomlinson por tê-lo enviado em 1971 de um computador a outro em Cambridge, Massachusetts. Se conteúdo não era importante.

"É provável que a primeira mensagem fosse algo como QWERTYUIOP ou algo do gênero", afirma McCabe.

Paul Armstrong, chefe de mídias sociais da empresa britânica Mindshare, diz que o fato de que frases iniciais de projetos deste tipo sejam despretensiosas mostram o quanto o mundo mudou.

"O mundo hoje muda muito mais rapidamente do que fazia em 1969 e no momento em que essas frases são ditas, não se sabe se elas vão ser um sucesso ou fracasso. Para cada uma que permanece, existem milhares que não atingem sucesso comercial", diz ele.

Os autores não estariam pensando em frases elegantes, mas "muito mais focados em fazer a coisa funcionar. Por isso você não vê frases muito profundas". BBC Brasil

Zangief Kid: Garoto vítima de bullying resolve reagir. E o outro lado


O nome dele é Casey Heynes, um australiano de 16 anos, alto, gordo e quieto. Esse garoto se tornou a sensação na internet depois de divulgado no Youtube um vídeo com ele reagindo a algumas agressões.

Casey foi apelidado de Zangief Kid quando ao receber socos no rosto reagiu furiosamente, levantando e jogando o seu agressor contra o chão. O magrelinho teria quebrado uma perna.

Segundo o pai do Casey, ele sofria agressões há anos e por ser uma pessoa tranqüila, não revidava.

Este garotinho valentão nunca mais vai querer agredir alguém. Pelo menos vai pensar duas vezes antes de tentar qualquer coisa contra qualquer pessoa, principalmente uma que seja maior que ele.

Em apenas semana Casey Heynes deixou de ser motivo de piada entre os colegas de escola para transformar-se em um ícone. Tudo porque reagiu de forma inesperada às provocações e agressões de um outro garoto. O vídeo caiu na rede e o garoto ficou famoso. Entretanto, pouco se sabia a respeito da história de Casey, até que uma emissora de TV decidiu entrevistá-lo.




Abaixo a entrevista do garoto que agrediu Zangief Kid, Ritchard Gale,



VÍDEO ALTERNATIVO EM CASO DO YOUTUBE TER DELETADO O SEGUNDO VÍDEO:


Entrevista com Casey Heynes o Zangief Kid! Versão Completa e Legendada! por evelryu no Videolog.tv.

Por que Lula é "o cara" e FHC é personagem da revista "Caras"

O Itamaraty convidou todos os ex-presidentes brasileiros para o almoço que será oferecido ao presidente dos EUA, Barack Obama, no sábado, em Brasília.

O presidente Lula, segundo sua assessoria, declinou do convite, entendendo que o encontro é mais apropriado aos chefes de Estado.

Lula é ciente da responsabilidade de seu papel e de sua dimensão política. Haveria um gesto carregado de simbolismo político se ele fizesse uma distinção especial ao presidente dos EUA e não fizesse o mesmo às dezenas de presidentes africanos, latino-americanos e asiáticos que visitam o Brasil.

É como aquela história que ele conta, quando era presidente e no primeiro encontro de presidentes, todos se se levantaram da cadeira quando Bush chegou, e ele não, afinal ninguém havia se levantado quando ele (Lula) havia chegado, então por que fazer um distinção especial ao presidente dos EUA? E não houve nenhum atrito nas boas relações por isso.

Voltando ao almoço do Itamaraty, se Lula fosse, compareceria como líder político, e estaria ali prestigiando não a pessoa de Obama, com quem sempre se relacionou bem pessoalmente, e sim as políticas que Obama carrega na bagagem, onde há contenciosos bilaterais e multilaterais com o Brasil em disputa.

E que sentido político haveria num encontro destes? Falar o quê, se Dilma dirá tudo o que o Brasil e ele teriam a dizer?

Só faria sentido fazer tal distinção especial, se Obama viesse ao Brasil anunciar alguma mudança de posição no protecionismo comercial, na flexibilização da posição dos EUA na rodada de Doha ou na conferência do clima; enfim, algum acordo importante para o Brasil ou para os países mais pobres, negociado ao longo do governo Lula, que estivesse sendo destravado. Fora isso, estaria apenas prestigiando indiretamente e sem querer, as posições estadunidenses nas mesas de negociação internacionais.

Já FHC fez a mala e desembarcou em Brasília ainda na sexta-feira, a tempo de ser o primeiro da fila na "boca livre".

FHC não tem esse problema, porque ele também é ciente de sua dimensão política. No caso, da pouca dimensão que tem, pelo legado sofrível que deixou do seu governo e pelo próprio correr do tempo. FHC não vai prestigiar, vai atrás de prestígio para si. Com isso, animará metade da platéia de leitores demo-tucanos do PIG com suas fotos para revista "Caras", e irritará a outra metade ao ir, mais uma vez, bajular a presidenta Dilma Rousseff.

BLOG OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Arruda diz que ajudou líderes do DEM a captar dinheiro, VEJA esondeu a informação


Em entrevista publicada ontem no site da revista “Veja”, o ex-governador José Roberto Arruda, suspeito de comandar esquema de corrupção no Distrito Federal, afirma que atendeu de “pequenos favores aos financiamentos de campanha” de integrantes da cúpula do DEM. Os democratas reagiram dizendo que irão processá-lo.
Para não ser expulso do partido, Arruda abandonou o DEM em 2010. Ele perdeu o cargo em março de 2010 depois de passar dois meses preso, acusado de coagir testemunhas da investigação.
De acordo com os advogados do ex-governador, Cristiano Maronna e Nélio Machado, a entrevista foi dada em setembro de 2010. Eles alegam que as declarações estão “fora de contexto”.
“Toda a ajuda que ele deu ao partido foi rigorosamente dentro da lei”, afirmou Cristiano Maronna.
Arruda não diz, na entrevista, se o dinheiro tinha origem ilícita ou não. E afirma que não sabe se os repasses foram declarados à Justiça Eleitoral.
À revista, o ex-governador declarou que ajudava a “nomear afilhados políticos, conseguir avião para viagens, pagar programas de TV, receber empresários”.
O presidente do DEM, José Agripino, disse que Arruda tenta se vingar dos ex-companheiros. O senador Demóstenes Torres (GO) afirmou que vai processar o ex-governador

Para não prejudicar Serra, e os demos candidatos ao Senado na eleição de 2010, a Veja só publica agora a entrevista. E só está publicando porque seria matéria em outra revista concorrente neste fim de semana. SIC seria a revista Época

Segundo o ex-governador, em entrevista à VEJA,  dinheiro da quadrilha que atuava em Brasília alimentou campanhas de ex-colegas como José Agripino Maia e Demóstenes Torres
 
José Roberto Arruda foi expulso do DEM, perdeu o mandato de governador e passou dois meses encarcerado na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília, depois de realizada a Operação Caixa de Pandora, que descobriu uma esquema de arrecadação e distribuição de propina na capital do país. Filmado recebendo 50 mil reais de Durval Barbosa, o operador que gravou os vídeos de corrupção, Arruda admite que errou gravemente, mas pondera que nada fez de diferente da maioria dos políticos brasileiros: “Dancei a música que tocava no baile”.

Em entrevista a VEJA, o ex-governador parte para o contra-ataque contra ex-colegas de partido. Acusa-os de receber recursos da quadrilha que atuava no DF. E sugere que o dinheiro era ilegal. Entre os beneficiários estariam o atual presidente do DEM, José Agripino Maia (RN), e o líder da legenda no Senado, Demóstenes Torres (GO). A seguir, os principais trechos da entrevista: 

O senhor é corrupto?
Infelizmente, joguei o jogo da política brasileira. As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso. É preciso de muito dinheiro para aparecer bem no programa de TV. E as campanhas se reduziram a isso.

O senhor ajudou políticos do seu ex-partido, o DEM?
Assim que veio a público o meu caso, as mesmas pessoas que me bajulavam e recebiam a minha ajuda foram à imprensa dar declarações me enxovalhando. Não quiseram nem me ouvir. Pessoas que se beneficiaram largamente do meu mandato. Grande parte dos que receberam ajuda minha comportaram-se como vestais paridas. Foram desleais comigo.

Como o senhor ajudou o partido?
Eu era o único governador do DEM. Recebia pedidos de todos os estados. Todos os pedidos eu procurei atender. E atendi dos pequenos favores aos financiamentos de campanha. Ajudei todos.

O que senhor quer dizer com “pequenos favores”?
Nomear afilhados políticos, conseguir avião para viagens, pagar programas de TV, receber empresários.

E o financiamento?
Deixo claro: todas as ajudas foram para o partido, com financiamento de campanha ou propaganda de TV. Tudo sempre feito com o aval do deputado Rodrigo Maia (então presidente do DEM).
De que modo o senhor conseguia o dinheiro?
Como governador, tinha um excelente relacionamento com os grandes empresários. Usei essa influência para ajudar meu partido, nunca em proveito próprio. Pedia ajuda a esses empresários: “Dizia: ‘Olha, você sabe que eu nunca pedi propina, mas preciso de tal favor para o partido’”. Eles sempre ajudaram. Fiz o que todas as lideranças políticas fazem. Era minha obrigação como único governador eleito do DEM.

Esse dinheiro era declarado?
Isso somente o presidente do partido pode responder. Se era oficialmente ou não, é um problema do DEM. Eu não entrava em minúcias. Não acompanhava os detalhes, não pegava em dinheiro. Encaminhava à liderança que havia feito o pedido.

Quais líderes do partido foram hipócritas no seu caso?
A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! Em 2008, o senador Agripino veio à minha casa pedir 150 mil reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). Eu ajudei, e até a Micarla veio aqui me agradecer depois de eleita. O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília.

O senhor ajudou mais algum deputado?
O próprio Rodrigo Maia, claro. Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador.

Mais algum?
Foram muitos, não me lembro de cabeça. Os que eu não ajudei, o Kassab (prefeito de São Paulo, também do DEM) ajudou. É assim que funciona. Esse é o problema da lógica financeira das campanhas, que afeta todos os políticos, sejam honestos ou não.

Por exemplo?
Ajudei dois dos políticos mais decentes que conheço. No final de 2009, fui convidado para um jantar na casa do senador Marco Maciel. Estávamos eu, o ex-ministro da Fazenda Gustavo Krause e o Kassab. Krause explicou que, para fazer a pré-campanha de Marco Maciel, era preciso 150 mil reais por mês. Eu e Kassab, portanto, nos comprometemos a conseguir, cada um, 75 mil reais por mês. Alguém duvida da honestidade do Marco Maciel? Claro que não. Mas ele precisa se eleger. O senador Cristovam Buarque, do PDT, que eu conheço há décadas, um dos homens mais honestos do Brasil, saiu de sua campanha presidencial, em 2006, com dívidas enormes. Ele pediu e eu ajudei.

Então o senhor também ajudou políticos de outros partidos?
Claro. Por amizade e laços antigos, como no caso do PSDB, partido no qual fui líder do Congresso no governo FHC, e por conveniências regionais, como no caso do PT de Goiás, que me apoiava no entorno de Brasília. No caso do PSDB, a ajuda também foi nacional. Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações. Fazia de coração, com a melhor das intenções.


Blog da Bethânia é odara


A cultura brasileira deve muito aos baianos. E eles fazem questão de cobrar. Portanto, vamos parar de mesquinharia com a Maria Bethânia. Não adianta nada mesmo.

A cantora, cansada de ser aplaudida por sua voz maravilhosa, resolveu testar sua capacidade de despertar ódio e vaias. Porreta. Só para contrariar, tem meu apoio.

Que mal há em receber autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão destinado à criação de um blog pessoal? Isso é trocado, mixaria perto do que Caetano, Gil e Gal já embolsaram de incentivos fiscais.

E podia ser pior. E se o dinheiro fosse para um show do Timbalada? Ou Claudia Leitte? Ivete, então? E o Psirico, que medo! Ninguém pensa nisso!? É preciso ter muito cuidado com dinheiro público.

Implicância da oposição, preconceito contra nordestinos, coisa de sulista mal amado. Só pode. Um blog é algo inofensivo, imóvel, quietinho, jóia rara. É pro mundo ficar odara. Antes isso.

E outra: o MinC liberar a bufunfa não significa que vai aparecer alguma Odebrecht para patrocinar. Não é assim. É lento, demora, dá preguiça. E a Petrobras também vai querer brigar pelo direito de explorar em profundidade essa opção.

Nossa abelha-rainha da MPB merece respeito, carinho, consideração. É uma senhora. O que ela precisa é se benzer contra essa gente invejosa, que bota olho gordo no sucesso alheio. Eparrei!

Se precisar, eu ajudo a fazer uma vaquinha. Passo o chapéu, de boa. Não quero que os nossos gênios baianos fiquem chateados. Imagina que perigo, se Caê resolve entrar na briga?

Viciados e lucrativos

Depois de se livrar de problemas com álcool e drogas há mais de duas décadas, o ator e comediante Tom Arnold se tornou um silencioso agente de reabilitação na comunidade de Hollywood, facilitando intervenções que ajudassem astros e executivos da indústria a se livrar do vício.

Mas até um experiente sobrevivente do show business como Arnold ficou chocado com o que ocorreu quando tentou afastar seu amigo e ex-vizinho, Charlie Sheen, da beira do abismo. "Procurei uma pessoa próxima a ele e disse: ‘Esse sujeito está envolvido com drogas pesadas. Temos que ajudá-lo’", lembrou Arnold numa entrevista. "E a pessoa me respondeu, com toda a sinceridade: ‘Ganhamos muito dinheiro com ele. Não posso tomar parte nisso’".

Embora o mau comportamento de estrelas seja tolerado em alguns setores - por exemplo, nos esportes e no universo da alta costura -, Hollywood tem um longo histórico de encorajamento a viciados. Médicos contratados pela Metro deram a Judy Garland anfetaminas e outras drogas para combater o cansaço e controlar o peso, preparando o terreno para uma luta contra o vício que a atriz acabaria perdendo. No caso de Sheen, consumidor de crack e frequentador de prostíbulos, muitos dizem que sua situação é resultado da ação de uma longa lista de facilitadores: empresários, agentes, publicitários; assessores e companheiros de farra; prostitutas, traficantes e estrelas pornô; e a imprensa sensacionalista, que há anos lucra com suas peripécias.

O esforço dessas pessoas pode ter sustentado Sheen durante sua carreira, mas parece que o tiro finalmente saiu pela culatra. Como protagonista de uma comédia campeã de audiência, Sheen é mercadoria valiosa na Hollywood de hoje, e seu ataque de nervos público ocorreu no ponto mais rentável de sua carreira. A CBS, que transmite o programa Two and a Half Men, e a Warner Brothers, sua produtora, cancelaram o restante da atual temporada e podem perder US$ 250 milhões se a próxima também for cancelada.

A decisão de cancelamento foi tomada depois de tentativas de convencer Sheen a admitir seu problema com o vício. Um executivo ligado ao programa falou de uma recente visita de Leslie Moonves, principal executivo da CBS, e Bruce Rosenblum, diretor do grupo de televisão da Warner, à casa de Sheen. Eles acharam o ator mais para sem-teto que para estrela. Sheen teria concordado em ser internado numa clínica, mas, dias depois, disse que se recuperaria em casa. Os dois concluíram que Charlie estava zombando deles.

A inacreditável resistência do ator permitiu que ele misturasse trabalho e diversão de uma maneira que teria derrubado outros. "Ele podia ficar na balada até as 5 da madrugada, mas às 7 estava sempre no estúdio", disse alguém próximo a Sheen.

Mas não foi apenas a saúde de ferro que permitiu ao ator continuar trabalhando. Basta perguntar aos que já conviveram com Sheen qual a lembrança que têm dele e a resposta invariavelmente envolve sua generosidade e sua capacidade quase sobrenatural de cair nas graças das pessoas, apesar de seus demônios internos. Jim Abrahams, que dirigiu Sheen em Top Gang - Ases muito Loucos e Top Gang 2: A Missão, lembra como o ator passou a lhe dar presentes, como uma bola de beisebol de 1957 autografada pelos Milwaukee Braves, depois de descobrir que o diretor era fã de esportes e tinha nascido no Wisconsin. "Ele é um ator de enorme talento", diz Abrahms. "Não reconheço o sujeito ressentido que tem aparecido nessas entrevistas na TV. Nunca vi esse lado dele e duvido que na época ele não estivesse abusando das drogas no tempo livre."

Abrahams afirma que Sheen falava abertamente sobre seu vício, chegando a mencionar o estrago que tal estilo de vida já teria causado em seu cérebro. "Ele me disse que ao assistir a seus filmes não se lembrava de ter gravado cenas inteiras - não porque estivesse sob o efeito de drogas enquanto atuava, mas porque todo aquele embalo já estava começando a afetar sua memória."

Em termos de salário, o auge de sua carreira cinematográfica foi Velocidade Terminal (1994), thriller de ação da Disney pelo qual o ator recebeu US$ 6 milhões. O filme teve retorno modesto de bilheteria, mas o grande golpe contra o valor de mercado de Sheen foi o espetáculo público de seu depoimento, registrado em vídeo, na acusação de conspiração federal e evasão fiscal contra Heidi Fleiss, cafetina de Hollywood.

Sheen admitiu ter gastado mais de US$ 50 mil com prostitutas num ano. Pouco à vontade no depoimento, fez comentários machistas que depois se tornariam sua marca registrada em Two and a Half Men. "Serviços heterossexuais", diz ele em certo momento, esclarecendo o que Heidi Fleiss fornecia. Sheen também se envolveu em incidentes de violência doméstica com duas de suas mulheres e, no semestre passado, uma acompanhante paga disse que ele tentou estrangulá-la. Alguns dizem que seu comportamento com as mulheres foi tolerado porque Hollywood mantém a atmosfera de um clube masculino, e as empresas apontavam o fato de ele não ter sido acusado formalmente ou ter recebido penas leves pelos incidentes.

Além de Tom Arnold, outras pessoas na vida de Sheen tentaram convencê-lo a se tratar, como Sean Penn e Mel Gibson. Martin Sheen, que lutou contra o vício no passado, foi talvez aquele que exerceu mais pressão. Em 1998, quando Charlie foi levado de ambulância para o hospital por "cansaço extremo", seu pai convocou uma coletiva. "Meu filho sofreu uma overdose de drogas", disse Martin, chorando. "Esperamos que concorde com a recuperação e finalmente se liberte."

Charlie Sheen acabou procurando a reabilitação, mas o incidente provocou um cisma. "Não se pode comentar esse episódio com ele", disse Arnold. "Charlie ficou furioso com aquilo. Demorou algum tempo até que voltasse a falar com o pai. Mas tenho certeza de que, na época, a vida de Charlie foi salva por essa intervenção."

BROOKS BARNES, BILL CARTER E MICHAEL CIEPLY - THE NEW YORK TIMES

A revolução Geek



Livros intempestivos são uma subcultura interessante. Lembro-me de Dow 36.000, escrito por James Glassman e Kevin Hassett, publicado em 1999, quando a bolha de tecnologia chegava ao pico. Agora temos o livro de Evgeni Morozov The Net Delusion - que leva o subtítulo The Dark Side of Internet Freedom. Ele chega às lojas quando a juventude na Tunísia e no Egito, armada com o Facebook, se levanta para mostrar o poder libertador da mídia social.


Morozov, nascido na Bielo-Rússia, educado na Bulgária e vivendo na Califórnia, é um jovem de roupas amarrotadas, óculos, 26 anos ("sou embaraçosamente jovem", me disse ele), sem carteira de motorista e um cérebro fora do comum. É divertido e fala muito rápido, como se as palavras estivessem tentando, em vão, compor-se com as ideias que passam pela sua cabeça, como elétrons em torno de um átomo.

E essas ideias, reunidas no seu livro repleto de detalhes, são do tipo: os idealistas do mundo cibernético, principalmente a secretária de Estado Hillary Clinton, difundiram uma perigosa ilusão ao sugerir que, por meio dos blogs, Twitter, Facebook, YouTube e Google, o mundo consegue abrir o caminho para a liberdade e a democracia.

Numa era em que os melhores e mais brilhantes hoje são também os mais geeks, Morozov afirma que, com frequência, a chamada "doutrina Google" se tornou uma sedutora armadilha. A internet, na verdade "dá poderes aos fortes e os tira dos fracos". Longe de favorecer os oprimidos, ela dá novos instrumentos para o opressor reprimir alguns oponentes - "uma senha roubada hoje abre portas de dados que não existiam" - colocando outros numa atitude passiva.

O fato de a mídia social estar dominada pelas corporações americanas dá munição a governos repressivos, da Bielo-Rússia à China, para tramarem convincentes teorias conspiratórias, fundindo, digamos, o Twitter com complôs do governo americano, especialmente quando, como ocorreu com a insurreição iraniana em 2009, existem contatos públicos entre autoridades do Departamento de Estado americano e a companhia.

Considero Morozov brilhante e seu livro é uma provocação útil. Mas acho também que ele está totalmente errado.

É certo que na primeira década do século 21 o autoritarismo antiocidental vem tomando corpo, e não há dúvida de que aqueles que administram sistemas repressivos estudaram como explorar, ou suprimir, uma tecnologia revolucionária que os desafia. Mas eles nadam contra a corrente. A liberdade de os indivíduos se conectarem é um instrumento de libertação - e poderoso.

Escrevo este artigo no meu retorno da Tunísia, onde o Facebook permitiu que os jovens manifestantes se conectassem para derrubar um ditador, como também vejo as imagens no YouTube dos corajosos jovens egípcios enfrentando os cassetetes e os canhões de água dos asseclas de Hosni Mubarak.

"Eles têm tudo, eles têm tudo", dizia um manifestante ensanguentado sobre a força bruta que enfrentou. Sim, quando o que você tem é um grande martelo - e isso é só o que ficou no arsenal dos regimes árabes decadentes e nepotistas -, tudo parece um prego.

A verdade é que esses homens - some o governo de 23 anos do ditador tunisiano deposto Ben Ali aos reinados de Mubarak e Kadafi na Líbia e você vai ter quase um século de despotismo - são relíquias que o mundo ligado na internet mostrou serem de mentira.

A organização, a comunicação em rede, o acesso a ideias e informações suprimidas, a prática do debate e o fortalecimento pessoal numa cultura de humilhação e conspiração: eis algumas dádivas que a mídia social vem concedendo a populações, na maioria jovens, em todo o mundo árabe.

O impacto da internet reside sobretudo no fato de ela expor a ilusão que levou os governos ocidentais a apoiar os autocratas árabes: de que a alternativa seriam os jihadistas islâmicos. A revolução na Tunísia foi da classe média, não islâmica e pró-ocidental. As pessoas nas ruas do Cairo são jovens conectados, não ideológicos e pragmáticos. Eles querem a promessa de que Mubarak não participará da eleição neste ano nem transferirá o poder para seu filho Gamal, que, a propósito, tem um belo apartamento na elegante Eaton Square, em Londres.

Se Hillary Clinton foi séria ao anunciar que a prioridade dos Estados Unidos hoje é "aproveitar o poder das tecnologias de conexão e aplicá-las a nossas metas diplomáticas" e se acha realmente que as estruturas árabes estão "afundando na areia", este é o momento de apoiar a mudança no Cairo.

E não posso pensar numa melhor expiação para os erros de Morozov do que ele aplicar sua genialidade e conhecimento da internet à causa da democracia tunisina e egípcia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO - Jornal "O Estado de S.Paulo"


2leep.com
powered by Blogger | WordPress by Newwpthemes | Converted by BloggerTheme