• Imagen 1 STEVE JOBS, AS COISAS QUE NINGUÉM DIZ
    Quão honestamente a sua vida é avaliada.

Viciados e lucrativos

Depois de se livrar de problemas com álcool e drogas há mais de duas décadas, o ator e comediante Tom Arnold se tornou um silencioso agente de reabilitação na comunidade de Hollywood, facilitando intervenções que ajudassem astros e executivos da indústria a se livrar do vício.

Mas até um experiente sobrevivente do show business como Arnold ficou chocado com o que ocorreu quando tentou afastar seu amigo e ex-vizinho, Charlie Sheen, da beira do abismo. "Procurei uma pessoa próxima a ele e disse: ‘Esse sujeito está envolvido com drogas pesadas. Temos que ajudá-lo’", lembrou Arnold numa entrevista. "E a pessoa me respondeu, com toda a sinceridade: ‘Ganhamos muito dinheiro com ele. Não posso tomar parte nisso’".

Embora o mau comportamento de estrelas seja tolerado em alguns setores - por exemplo, nos esportes e no universo da alta costura -, Hollywood tem um longo histórico de encorajamento a viciados. Médicos contratados pela Metro deram a Judy Garland anfetaminas e outras drogas para combater o cansaço e controlar o peso, preparando o terreno para uma luta contra o vício que a atriz acabaria perdendo. No caso de Sheen, consumidor de crack e frequentador de prostíbulos, muitos dizem que sua situação é resultado da ação de uma longa lista de facilitadores: empresários, agentes, publicitários; assessores e companheiros de farra; prostitutas, traficantes e estrelas pornô; e a imprensa sensacionalista, que há anos lucra com suas peripécias.

O esforço dessas pessoas pode ter sustentado Sheen durante sua carreira, mas parece que o tiro finalmente saiu pela culatra. Como protagonista de uma comédia campeã de audiência, Sheen é mercadoria valiosa na Hollywood de hoje, e seu ataque de nervos público ocorreu no ponto mais rentável de sua carreira. A CBS, que transmite o programa Two and a Half Men, e a Warner Brothers, sua produtora, cancelaram o restante da atual temporada e podem perder US$ 250 milhões se a próxima também for cancelada.

A decisão de cancelamento foi tomada depois de tentativas de convencer Sheen a admitir seu problema com o vício. Um executivo ligado ao programa falou de uma recente visita de Leslie Moonves, principal executivo da CBS, e Bruce Rosenblum, diretor do grupo de televisão da Warner, à casa de Sheen. Eles acharam o ator mais para sem-teto que para estrela. Sheen teria concordado em ser internado numa clínica, mas, dias depois, disse que se recuperaria em casa. Os dois concluíram que Charlie estava zombando deles.

A inacreditável resistência do ator permitiu que ele misturasse trabalho e diversão de uma maneira que teria derrubado outros. "Ele podia ficar na balada até as 5 da madrugada, mas às 7 estava sempre no estúdio", disse alguém próximo a Sheen.

Mas não foi apenas a saúde de ferro que permitiu ao ator continuar trabalhando. Basta perguntar aos que já conviveram com Sheen qual a lembrança que têm dele e a resposta invariavelmente envolve sua generosidade e sua capacidade quase sobrenatural de cair nas graças das pessoas, apesar de seus demônios internos. Jim Abrahams, que dirigiu Sheen em Top Gang - Ases muito Loucos e Top Gang 2: A Missão, lembra como o ator passou a lhe dar presentes, como uma bola de beisebol de 1957 autografada pelos Milwaukee Braves, depois de descobrir que o diretor era fã de esportes e tinha nascido no Wisconsin. "Ele é um ator de enorme talento", diz Abrahms. "Não reconheço o sujeito ressentido que tem aparecido nessas entrevistas na TV. Nunca vi esse lado dele e duvido que na época ele não estivesse abusando das drogas no tempo livre."

Abrahams afirma que Sheen falava abertamente sobre seu vício, chegando a mencionar o estrago que tal estilo de vida já teria causado em seu cérebro. "Ele me disse que ao assistir a seus filmes não se lembrava de ter gravado cenas inteiras - não porque estivesse sob o efeito de drogas enquanto atuava, mas porque todo aquele embalo já estava começando a afetar sua memória."

Em termos de salário, o auge de sua carreira cinematográfica foi Velocidade Terminal (1994), thriller de ação da Disney pelo qual o ator recebeu US$ 6 milhões. O filme teve retorno modesto de bilheteria, mas o grande golpe contra o valor de mercado de Sheen foi o espetáculo público de seu depoimento, registrado em vídeo, na acusação de conspiração federal e evasão fiscal contra Heidi Fleiss, cafetina de Hollywood.

Sheen admitiu ter gastado mais de US$ 50 mil com prostitutas num ano. Pouco à vontade no depoimento, fez comentários machistas que depois se tornariam sua marca registrada em Two and a Half Men. "Serviços heterossexuais", diz ele em certo momento, esclarecendo o que Heidi Fleiss fornecia. Sheen também se envolveu em incidentes de violência doméstica com duas de suas mulheres e, no semestre passado, uma acompanhante paga disse que ele tentou estrangulá-la. Alguns dizem que seu comportamento com as mulheres foi tolerado porque Hollywood mantém a atmosfera de um clube masculino, e as empresas apontavam o fato de ele não ter sido acusado formalmente ou ter recebido penas leves pelos incidentes.

Além de Tom Arnold, outras pessoas na vida de Sheen tentaram convencê-lo a se tratar, como Sean Penn e Mel Gibson. Martin Sheen, que lutou contra o vício no passado, foi talvez aquele que exerceu mais pressão. Em 1998, quando Charlie foi levado de ambulância para o hospital por "cansaço extremo", seu pai convocou uma coletiva. "Meu filho sofreu uma overdose de drogas", disse Martin, chorando. "Esperamos que concorde com a recuperação e finalmente se liberte."

Charlie Sheen acabou procurando a reabilitação, mas o incidente provocou um cisma. "Não se pode comentar esse episódio com ele", disse Arnold. "Charlie ficou furioso com aquilo. Demorou algum tempo até que voltasse a falar com o pai. Mas tenho certeza de que, na época, a vida de Charlie foi salva por essa intervenção."

BROOKS BARNES, BILL CARTER E MICHAEL CIEPLY - THE NEW YORK TIMES

A revolução Geek



Livros intempestivos são uma subcultura interessante. Lembro-me de Dow 36.000, escrito por James Glassman e Kevin Hassett, publicado em 1999, quando a bolha de tecnologia chegava ao pico. Agora temos o livro de Evgeni Morozov The Net Delusion - que leva o subtítulo The Dark Side of Internet Freedom. Ele chega às lojas quando a juventude na Tunísia e no Egito, armada com o Facebook, se levanta para mostrar o poder libertador da mídia social.


Morozov, nascido na Bielo-Rússia, educado na Bulgária e vivendo na Califórnia, é um jovem de roupas amarrotadas, óculos, 26 anos ("sou embaraçosamente jovem", me disse ele), sem carteira de motorista e um cérebro fora do comum. É divertido e fala muito rápido, como se as palavras estivessem tentando, em vão, compor-se com as ideias que passam pela sua cabeça, como elétrons em torno de um átomo.

E essas ideias, reunidas no seu livro repleto de detalhes, são do tipo: os idealistas do mundo cibernético, principalmente a secretária de Estado Hillary Clinton, difundiram uma perigosa ilusão ao sugerir que, por meio dos blogs, Twitter, Facebook, YouTube e Google, o mundo consegue abrir o caminho para a liberdade e a democracia.

Numa era em que os melhores e mais brilhantes hoje são também os mais geeks, Morozov afirma que, com frequência, a chamada "doutrina Google" se tornou uma sedutora armadilha. A internet, na verdade "dá poderes aos fortes e os tira dos fracos". Longe de favorecer os oprimidos, ela dá novos instrumentos para o opressor reprimir alguns oponentes - "uma senha roubada hoje abre portas de dados que não existiam" - colocando outros numa atitude passiva.

O fato de a mídia social estar dominada pelas corporações americanas dá munição a governos repressivos, da Bielo-Rússia à China, para tramarem convincentes teorias conspiratórias, fundindo, digamos, o Twitter com complôs do governo americano, especialmente quando, como ocorreu com a insurreição iraniana em 2009, existem contatos públicos entre autoridades do Departamento de Estado americano e a companhia.

Considero Morozov brilhante e seu livro é uma provocação útil. Mas acho também que ele está totalmente errado.

É certo que na primeira década do século 21 o autoritarismo antiocidental vem tomando corpo, e não há dúvida de que aqueles que administram sistemas repressivos estudaram como explorar, ou suprimir, uma tecnologia revolucionária que os desafia. Mas eles nadam contra a corrente. A liberdade de os indivíduos se conectarem é um instrumento de libertação - e poderoso.

Escrevo este artigo no meu retorno da Tunísia, onde o Facebook permitiu que os jovens manifestantes se conectassem para derrubar um ditador, como também vejo as imagens no YouTube dos corajosos jovens egípcios enfrentando os cassetetes e os canhões de água dos asseclas de Hosni Mubarak.

"Eles têm tudo, eles têm tudo", dizia um manifestante ensanguentado sobre a força bruta que enfrentou. Sim, quando o que você tem é um grande martelo - e isso é só o que ficou no arsenal dos regimes árabes decadentes e nepotistas -, tudo parece um prego.

A verdade é que esses homens - some o governo de 23 anos do ditador tunisiano deposto Ben Ali aos reinados de Mubarak e Kadafi na Líbia e você vai ter quase um século de despotismo - são relíquias que o mundo ligado na internet mostrou serem de mentira.

A organização, a comunicação em rede, o acesso a ideias e informações suprimidas, a prática do debate e o fortalecimento pessoal numa cultura de humilhação e conspiração: eis algumas dádivas que a mídia social vem concedendo a populações, na maioria jovens, em todo o mundo árabe.

O impacto da internet reside sobretudo no fato de ela expor a ilusão que levou os governos ocidentais a apoiar os autocratas árabes: de que a alternativa seriam os jihadistas islâmicos. A revolução na Tunísia foi da classe média, não islâmica e pró-ocidental. As pessoas nas ruas do Cairo são jovens conectados, não ideológicos e pragmáticos. Eles querem a promessa de que Mubarak não participará da eleição neste ano nem transferirá o poder para seu filho Gamal, que, a propósito, tem um belo apartamento na elegante Eaton Square, em Londres.

Se Hillary Clinton foi séria ao anunciar que a prioridade dos Estados Unidos hoje é "aproveitar o poder das tecnologias de conexão e aplicá-las a nossas metas diplomáticas" e se acha realmente que as estruturas árabes estão "afundando na areia", este é o momento de apoiar a mudança no Cairo.

E não posso pensar numa melhor expiação para os erros de Morozov do que ele aplicar sua genialidade e conhecimento da internet à causa da democracia tunisina e egípcia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO - Jornal "O Estado de S.Paulo"


Terremoto de magnitude 8,9 atinge o Japão


Um forte terremoto de magnitude 8,9 afetou vastas áreas no nordeste do Japão nesta sexta-feira e provocou um tsunami de 10 metros de altura que arrasou casas, prédios e áreas agrícolas, deixando pelo menos 60 mortos. Outras 56 pessoas estão desaparecidas. Em Sendai, entre 200 e 300 mortos foram encontrados afogados após o tsunami, mas estas mortes ainda não foram contabilizadas no balanço oficial.


O governo japonês declarou estado de emergência na usina nuclear de Fukushima e outras três centrais atômicas foram fechadas. Ao menos 2 mil pessoas foram retiradas de áreas próximas após as autoridades não terem conseguido resfriar o combustível nuclear. Não há, no entanto, segundo os oficiais responsáveis, vazamento radioativo.

Fábricas e refinarias foram fechadas e milhões de pessoas estão sem energia elétrica. Há cerca de 80 incêndios provocados pelo terremoto, um deles em uma refinaria. O aeroporto de Narita, o maior do país, chegou a ser fechado, mas já foi reaberto. O tremor também paralisou em todo o país os serviços do "shinkansen", o trem-bala japonês, segundo a companhia ferroviária JR East. Um trem com passageiros desapareceu na área afetada pelo tremor.

O primeiro-ministro Naoto Kan disse a políticos que eles precisam "salvar o país" após o desastre. "O terremoto causou diversos danos em vastas áreas do norte do Japão", afirmou.

Foi o maior terremoto no Japão desde que começaram a ser registrados, há 140 anos e o sétimo pior da história. O tremor principal aconteceu às 2h46 de Brasília, com epicentro a 130 quilômetros de Sendal, na ilha de Honshu, e com profundidade de 24,4 quilômetros, na mesma região onde há dois dias ocorreu um terremoto de 7,3 graus que não deixou vítimas.


Site do ESTADÃO

Merval e Mainardi: próximos de Serra e EUA


Não havia muitas dúvidas de que Merval Pereira e Diogo Mainardi fizeram de suas colunas (em “O Globo” e “Veja”) um espaço aberto a serviço de Serra, durante a campanha de 2010.

Mas não se sabia que eles cumpriram também o papel de correia de transmissão entre o serrismo e os EUA.

Textos publicados por Maria Frô e Miguel do Rosário no blog Gonzum mostram as relações estreitas entre os jornalistas e o Consulado dos EUA no Rio. Tudo baseado em telegramas do wikileaks, repassados com exclusividade a um grupo de blogs (entre os quais se encontra esse Escrevinhador).

Aqui, a tradução dos telegramas no blog da Maria Frô:

WikiLeaks
24) CABLEGATE DE HEARNE
246840/ 2/2/2010 19:13/ 10RIODEJANEIRO32/ Consulate Rio De Janeiro/ NCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY
Excertos dos itens “não classificados/para uso exclusivamente oficial” do telegrama 10RIODEJANEIRO32.

A íntegra do telegrama não está disponível.

ASSUNTO: Ideias sobre possíveis candidatos a vice-presidente para José Serra


RESUMO. 1. (SBU) Observadores políticos e atores do PSDB no país entendem que há possibilidade de candidato do PSDB à presidência (na dianteira, nas pesquisas de intenção de voto) convidar a candidata Marina Silva, do Partido Verde, para sua chapa, como vice-presidente. Embora pareça pouco provável, nesse ponto, que Marina Silva aceite esse papel, muitos creem que, pelo menos, ela apoiará Serra num eventual segundo turno contra a candidata do PT Dilma Rousseff. Apesar de a hipótese Marina não estar descartada, analistas do PSDB veem, como cenário mais provável, que o governador de Minas Gerais, Aecio Neves (PSDB) venha a completar a chapa com Serra, como candidato à vice-presidência, apesar de Neves já ter declarado publicamente que concorrerá ao Senado. Mas, com a vantagem de Serra encolhendo nas pesquisas recentes, ressurge a especulação de que Serra possa renunciar a favor de Neves como candidato do PSDB. Até aqui, Serra é o candidato mais provável, e muitos dos nossos interlocutores declararam que uma chapa Serra-Neves seria o melhor caminho para Serra enfrentar com chances de sucesso os esforços do presidente para traduzir sua popularidade pessoal em votos para Dilma Rousseff, na sucessão. FIM DO RESUMO.


NO RIO, ANALISTAS DISCUTEM ALTERNATIVAS PARA A VICE-PRESIDÊNCIA


2. (SBU) Em almoço privado dia 12 de janeiro, o importante colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que a recente coluna [de Mainardi] na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.


Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rouseff (PT) em desvanagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponto de lança de ataque em sua campanha. Apesar disso, Mainardi não acredita que Marina associe-se a Serra, porque está interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência. Mas Mainardi disse que crê – como também Serra – que Marina Silva pode bem vir a apoiar Serra num eventual segundo turno contra Dilma.


3. (SBU) Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais Aecio Neves dissera a Mainardi, no início desse mês, que Neves permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice, na chapa de José Serra. (Nota: Dia 17/12/2009, Neves declarou oficialmente encerrada a discussão sobre sua pré-candidatura à presidência e mostrou interessem em concorrer como vice-presidente [referido em outro telegrama. FIM DA NOTA).


Apesar das declarações públicas de que concorrerá ao Senado, Mainardi disse que Neves planeja esperar um cenário no qual o PSDB, talvez à altura do mês de março, convide Neves para compor a chapa, com vistas a aumentar a chance do partido contra Dilma. As ambições pessoais de Neves e seu desejo, intimamente ligado àquelas ambições, de não atrapalhar o PSDB nas próximas eleições, levariam Neves a compor a chapa, ao lado de Serra – na opinião de Mainardi.


É a mesma opinião de Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, o maior do Rio de Janeiro, que se reuniu com o Cônsul dia 21/1. Pereira disse ao cônsul que tivera uma conversa com Neves na véspera, na qual Neves dissera estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice-presidente, na mesma chapa.


Na opinião de Merval Pereira, uma chapa Serra-Neves venceria. Pereira disse também acreditar que não só Neves aceitará a vice-presidente de Serra, mas, também, que Marina Silva também apoiaria Serra num eventual segundo turno.
(…)


RELAÇÕES PERIGOSAS

Bastante esclarecedor o conteúdo de um dos telegramas mais polêmicos revelados pelo Wikileaks até agora, que mostra como o então candidato a presidente José Serra (PSDB) operou junto a certos membros da imprensa durante as eleições de 2010. E também sobre como jornalistas de veículos notórios por sua oposição ferrenha ao PT se prestam ao papel de correia de transmissão entre o tucanato e o Departamento de Estado norte-americano, compartilhando informações diretas do candidato da oposição e suas previsões sobre o desfecho das eleições brasileiras.

O plantio de informações favoráveis a sua candidatura por parte de Serra em colunas tradicionais de jornais brasileiros é desnudada no diálogo entre os profissionais e o cônsul norte-americano no Rio. Em um dos contatos de um jornalista com o consulado, em janeiro de 2010, o colunista revela que almoçou com Serra e que o candidato disse que Marina Silva (PV) seria sua “companheira de chapa dos sonhos”. Os motivos, de acordo com o que teria dito o tucano, seriam agregar apoio de parte do eleitorado de esquerda, ganhar a simpatia dos pobres e descolar sua imagem da do governo de Fernando Henrique Cardoso.

São exatamente os mesmos argumentos que o colunista publicou a título de análise pessoal em seu espaço em uma revista semanal de grande circulação, na mesma época: o texto foi ditado por Serra, em clara exaltação à possibilidade de que uma “chapa cabocla” fosse capaz de bater o PT nas urnas.

Cabe lembrar que, à época, ainda articulava-se muito fortemente sobre a possibilidade de que o então governador de Minas Gerais e hoje senador Aécio Neves (PSDB) viesse a compor uma “chapa pura” com Serra. O tucano paulista, confiante por estar à frente nas pesquisas de intenção de voto, começou ali a boicotar o colega de sigla –mais carismático e menos centralizador, que ameaçava a posição de Serra como líder do PSDB.

A essência do tipo de política que Serra pratica está nesse trecho de correspondência da diplomacia norte-americana: manipulação de informações por meio de aliados no seio da grande imprensa, maquinações contra aliados e, principalmente, um discurso enganoso para o eleitorado. Afinal, quantas vezes ele protestou quando era acusado de estar tentando esconder a “herança maldita” do governo FHC, do qual foi um dos principais expoentes? Pois disse, ao colunista, que queria Marina como vice; ex-ministra do governo Lula, ela permitiria que ele não fosse identificado como aliado do ex-presidente tucano, mas, sim, um defensor da continuidade do governo petista –o que nunca foi.

A promiscuidade das relações entre Serra, seu partido e parte da grande imprensa é um acinte contra a liberdade de escolha do cidadão, porque o induz ao erro tanto na hora do voto quanto na avaliação do trabalho do governo, a partir do que é publicado nos veículos que abrem mão de critérios éticos de apuração para publicar seus “ditados”.

Temos ciência dessas informações, hoje, graças à internet: em primeiro lugar ao Wikileaks, que vêm prestando relevante serviço público ao divulgar informações confidenciais da diplomacia norte-americana, e em seguida à rede de blogs que trabalha para esfacelar o discurso único, imprimindo pluralidade à comunicação de massas no Brasil.

Nas eleições, quando a central de boatos da oposição estava a mil para atingir Dilma Rousseff com calúnias de toda natureza, foram esses corajosos produtores de informação que desfizeram a trama de mentiras. Agora, consolidados como alternativa para a obtenção de informações, seguem contribuindo para que as práticas mais arcaicas e antiéticas da política brasileira sejam escancaradas ao público e percam a efetividade.

José Dirceu, 64, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

Aécio quer acabar com o Bolsa-família, entregando o dinheiro na mão de coronéis políticos

O senador Aécio Neves serviu como garoto-propaganda da cerveja Devassa, no carnaval.
O demo-tucano vestiu a camisa da cervejaria, literalmente.
No ano passado, a garota-propaganda da cerveja foi a modelo estadunidense Paris Hilton, que andou exagerando na bebida e fazendo performances desastrosas.

BOLSA FAMÍLIA

O senador demo-tucano Aécio Neves (PSDB/MG) sugeriu acabar com o Bolsa-família no formato atual.

Ele declarou ao jornal Estadão:

"A questão do Bolsa Família acaba com os prefeitos que querem intermediar as políticas sociais e ficam de fora".

Essa história de "querer intermediar..." é o tipo de coisa que mais dá trabalho à Polícia Federal, e a CGU (Controladoria Geral da União), em escândalos de corrupção com verbas repassadas.

O demo-tucano está regredindo ao tempo dos coronéis políticos, que submetiam o povo a passar fome, e confundiam, de propósito, direitos do cidadão com favores materiais em troca de voto.

Os coronéis pegavam dinheiro público para distribuir cestas básicas e coisas do gênero, escolhendo a dedo quem receberia, sem regras claras.

Os desonestos davam sumiço, pelo menos em parte, no dinheiro. Os honestos, ainda assim, não conseguiam fazer chegar a todos que precisavam, nem a tempo de não passarem fome. E ainda criavam uma relação de dependência material em troca de votos, em vez da situação de altivez do cidadão, atualmente, que porta um cartão do Bolsa-família porque tem direito à ele, e não por favor de ninguém.

O sucesso e os bons resultados do Bolsa-família, reconhecidos mundialmente, está justamente em entregar o dinheiro diretamente na mão da cada família (geralmente para a mãe), sem intermediários e sem desvios.

Os prefeitos já tem um papel importante nesse processo: fazer e manter o cadastro dos beneficiários que vivem em sua cidade.

Prefeito que é honesto, e que não é adepto do coronelismo político, tem coisas muito mais importantes a fazer e reivindicar na área social, do que estragar um programa exemplar: providenciar terrenos seguros e bem localizados para a baixa renda no "Minha Casa, Minha Vida", apresentar projetos de saneamento básico, comprar merenda escolar da agricultura familiar, contratar cooperativas de catadores para recolher e reciclar o lixo, em vez de só contratar grandes empreiteiras, fazer projetos de creches, UPA's, escolas técnicas, cidades digitais para banda larga, melhorar aplicação de verbas e salários dos professores na educação municipal, combater desvios e desperdícios no SUS e na educação, etc, etc, etc...

BLOG OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Cantando na areia



Antes elas se apresentavam em Las Vegas sem se incomodar com o jamegão de um mafioso no contracheque. Depois passaram a gravar comerciais no exterior, promovendo até produtos de que nunca ouviram falar. Há quatro anos, descobriram um novo mercado de trabalho: shows particulares para ditadores africanos e sua parentela. Com a indústria de discos fazendo água por todos os sulcos, os tiranos foram recebidos como um presente de Euterpe. Só a família Kadafi contratou os serviços de meia dúzia de estrelas pop, nos últimos quatro anos.

Gene Kelly cantava na chuva. Beyoncé, Mariah Carey, Nelly Furtado, Lionel Richie e os rappers Usher e 50 Cent foram cantar nas areias da ilha caribenha de St Barts, a soldo dos Kadafi Boys. A opção seria a areia do Saara. Cachês milionários. A gostosona Beyoncé levou US$ 2 milhões para se exibir cinco vezes no réveillon passado. Mariah faturou a metade por quatro números. O WikiLeaks não especificou a soma embolsada pelos rapazes, mas ninharia não foi: 50 Cent, que já dissera a que veio ao trocar o tráfico de drogas pelo show business e gravar um álbum intitulado Get Rich or Die Tryin’ (Fique rico ou morra tentando), só gosta de centavo no nome.

Se a repressão sob a qual vivem as mulheres líbias em algum momento constrangeu Beyoncé, só ela ou seus próximos podem esclarecer. O fato é que, até agora, apenas Nelly Furtado desculpou-se por sua ganância e falta de consciência. “Em 2007, eu recebi US$ 1 milhão do clã dos Kadafis para fazer um show de 45 minutos para convidados num hotel na Itália. Vou doar tudo” - tuitou a cantora luso-canadense, no início da semana. Para que instituição de caridade, não informou.

Também nas encolhas permaneceram a cantora Kesha (contratada pelo tirano Robert Mugabe para animar uma festa anual no Zimbábue) e os rappers Chris Brown (atração no palácio real da Arábia Saudita) e Eminem (principal nome de um espetáculo soi-disant beneficente patrocinado por Asayas Afwerki, aquele que adiou por 40 anos as eleições na Eritreia).

Às cobranças mais frequentes na internet (o que se esperar de celebridades que raciocinam com o bolso e só olham para o próprio umbigo? Como artistas tão ignorantes e alienados poderiam saber do que se passa na África?), acrescento outra: não dá para acreditar que o “rebelde” Eminem desconhecesse o currículo de Afwerki.

Confesso que fiquei mais impressionado com as preferências musicais dos ditadores (lorde Acton diria que até o gosto musical o poder absoluto corrompe absolutamente) do que com o comportamento insensato dos artistas citados, de resto, uma tradição no show business. Maurice Chevalier, Jean Cocteau e Sacha Guitry se esbaldaram com os nazistas, Elis Regina cantou o Virundu para o general Médici. Sim, eram de outro nível os inocentes e os oportunistas de antanho. A indulgência que as estrelas pop, por sua ignorância, talvez mereçam não se aplica aos experts e políticos que, por interesses vários, a maioria inconfessáveis, se aliaram aos sobas de todos os quadrantes da África e neles puseram asas.

Em represália ao atentado a uma discoteca berlinense por terroristas líbios, em 1986, Ronald Reagan oficializou a demonização de Kadafi, tachando-o de bárbaro e inimigo dos Estados Unidos. Em 2008, com outro republicano na Casa Branca, todas as barbaridades cometidas ou estimuladas pelo coronel foram indultadas. Obcecado com a guerra ao terrorismo e de olho gordo no petróleo, Bush, que dois anos antes suspendera o boicote econômico à Líbia, estendeu o tapete vermelho para Kadafi tão logo o ditador prometeu suspender seu programa nuclear. Em questão de horas, US$ 2,5 bilhões em petróleo saíram de Trípoli para os Estados Unidos. Nos meses seguintes, as exportações americanas para a Líbia subiram 419%.

A acochambração com a ditadura de Kadafi foi uma vitória de um poderoso grupo de lobistas a serviço de corporações ligadas ao petróleo (BP, ExxonMobil, Halliburton, Chevron, Conoco, Marathon Oil), à indústria da defesa (Raytheon, Northrop Grumman) e a multinacionais do porte da Dow Chemical and Fluor, que só tinham a perder com a Líbia na lista negra. Todas elas faturaram horrores no feudo de Kadafi, nos últimos três anos.

Já devíamos estar acostumados à prevalência da “moral do lucro”, mas porque somos bobos e românticos seu triunfo sempre nos surpreende e aturde. E o que dizer da ainda mais perturbadora falta de solidariedade de negros americanos não ligados ao show business com seus irmãos africanos? Sei de pelo menos quatro renomados afro-americanos que, nas últimas quatro décadas, comportaram-se de forma deplorável no trato com ditadores africanos.

O reverendo Jesse Jackson visitou a Nigéria em 1983 e salpicou de lantejoulas o general de plantão, Ibrahim Babangida. O cleptocrata nigeriano suprimira a oposição, fechara jornais independentes e transformara o país num entreposto de drogas, e o reverendo só se referindo a ele como “um dos maiores líderes do mundo moderno”. Claro que havia mufunfa na lambição: além das mordomias da viagem, Jackson ganhou algumas centenas de milhares de petrodólares para seus “programas sociais”.

Na década seguinte, a senadora negra Carol Moseley Braun fez o mesmo com o general da vez, Sani Abacha, bem mais feroz que o anterior. Depois, arrependeu-se e pediu desculpas, contrição que não se deve esperar do guia espiritual da Nação do Islã, o inacreditável Louis Farrakhan, amigo de todos os sacripantas africanos, em especial de Kadafi, que já o mimoseou com um prêmio no valor de US$ 250 mil, nem de Roy Innis, velho líder do Congresso Pela Igualdade Racial, comensal e promoter do finado canibal ugandense Idi Amin. Innis é um salafrário de primeira ordem. Com uma agravante: não tem as pernas da Beyoncé.

Dilma com Ana Maria Braga: a estratégia, a imagem e a notícia


Quando a presidenta Dilma foi à cerimônia de 90 anos da Folha de São Paulo, na semana passada, causou mal-estar em todos nós que apoiamos o governo Lula e a candidatura dela, contra o jornalão. Mas, como estratégia política, ela estava certa.

Ela colocou no bolso a oposição demo-tucana paulista e o PIG (Partido da Imprensa Golpista). A oposição, que já está na UTI, ficou menor ainda, foi desarmada, com ela sendo o centro da festa em pleno reduto oposicionista. De quebra, Dilma tomou a bandeira da liberdade de imprensa, daqueles que a criticavam justamente por isso.

Se nós sentimos mal-estar, pior foi para os reacionários demo-tucanos verem FHC, Alckmin, José Serra fazerem fila para beijar a mão da presidenta. Pior para eles foi ver FHC pedir audiência àquela que ele chamava de "poste". A oposição sentiu o golpe, tanto que enquanto nós aqui discutimos abertamente, eles simplesmente abafaram o caso, tratando com descrição para reduzir danos.

O que dá prestígio a um jornal não é cerimônias como estas, por mais gente importante que compareça. O que dá prestígio a um jornal são notícias exclusivas. É preciso notar que Dilma não concedeu ao jornalão nenhuma entrevista exclusiva, nem antecipou nenhuma notícia do governo que pudesse ser manchete.

Dilma também será vista na Rede TV, onde gravou entrevista para a estréia do Programa da Hebe Camargo; e na TV Globo, no programa de Ana Maria Braga, gravado hoje, e que deve ir ao ar amanhã, em comemoração pelo Dia Internacional da Mulher.

Desta vez a Presidenta gravou entrevista (diferente do que fez na Folha), mas de novo, dosou a "ração" que oferece ao PIG. Pelo que antecipa o G1 (das organizações Globo), também não haverá "furos", sendo uma conversa sobre amenidades, inclusive culinárias.

Obviamente que a Globo gostaria de uma entrevista da Presidenta no horário nobre, em um programa como o Fantástico, mas Dilma concedeu para um programa de nicho e para uma apresentadora que manteve-se isenta durante a campanha eleitoral (mesmo que tenha servido à oposição no passado como militante do fracassado movimento Cansei).

A imagem

Os telespectadores (na maioria telespectadoras) terão a oportunidade de prestar atenção no que ela diz, em vez do que dizem dela. Para o perfil da audiência desses programas, não é uma má decisão a Presidente aparecer como ela é.

É bastante provável que uma boa parte das telespectadoras destes programas tenham formado uma imagem deturpada da Presidenta pelo que ouviram dizer de homens que acompanham a política, e passem a ficar com uma boa imagem dela.

O problema é conseguir ganhos de imagem pelo lado do PIG, e perda da imagem junto à militância aguerrida do outro lado do PIG, que tem se sentido preterida, conforme inúmeros comentários sinceros na última semana, aqui e em diversos outros blogs.

O governo que Dilma está fazendo é, em essência, o que Lula faria se tivesse um terceiro mandato. As decisões que Dilma está tomando, tirando uma escolha ou outra, são as mesmas que Lula tomaria. Então, por que essa percepção não está chegando à militância?

Alguma coisa precisa ser feita para não baixar o moral da militância e não desestimular a mobilização conquistada, sem querer.

A notícia

A democratização dos meios de comunicação passa pela democratização da interlocução, e isso independe de novos marcos regulatórios. Depende da comunicação governamental diversificar os interlocutores com a sociedade.

Quantas vezes vimos no governo Lula, o presidente e a própria Dilma quando ministra, concederem entrevistas coletivas, e todo o PIG pinçarem trechos fora do contexto para usarem contra eles?

Era a blogosfera quem tinha que procurar a entrevista inteira e desmentir as artimanhas do PIG, travando uma verdadeira guerra pelo livre fluxo das notícias, sem a censura e manipulação do PIG.

O PIG teve sua lua-de-mel até com Lula no início do mandato, em 2003, quando as empresas de mídia estavam falidas e tentavam socorro no BNDES. Depois detonou-o, quando não conseguiram socorro, e conspiraram abertamente com um noticiário seletivo no "mensalão".

É natural que o PIG tenha sua lua-de-mel com Dilma, agora no início do mandato, e que Dilma explore bem essa boa relação neste período, até como estratégia de fortalecer-se para batalhas futuras.

Mas é importante nunca perder o foco de fortalecer as outras mídias que fazem contraponto ao PIG, nem desmobilizar a militância, porque elas serão necessárias na hora em que a oposição sair da UTI, já nas eleições de 2012, e mais ainda quando despontar um candidato das elites realmente viável para 2014 (até mesmo dissidente da base governista), certamente apoiado pelo PIG.


Blog Os Amigos do Presidente Lula

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