• Imagen 1 STEVE JOBS, AS COISAS QUE NINGUÉM DIZ
    Quão honestamente a sua vida é avaliada.

A história de Dilma - reportagem de qualidade

Respirar é possível


 Para governos "desalinhados" do continente e para as classes sociais que os levaram ao poder, as eleições no Brasil foram um sinal de esperança

BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS na Folha

As eleições no Brasil tiveram uma importância internacional inusitada. As razões diferem consoante a perspectiva geopolítica que se adote. Vistas da Europa, as eleições tiveram significado especial para os partidos de esquerda. A Europa vive uma grave crise, que ameaça liquidar o núcleo duro da sua identidade: o modelo social europeu e a social-democracia. Apesar de estarmos diante de realidades sociológicas distintas, o Brasil ergueu nos últimos oito anos a bandeira da social-democracia e reduziu significativamente a pobreza. Fê-lo reivindicando a especificidade do seu modelo, mas fundando-o na mesma ideia básica de combinar aumentos de produtividade econômica com aumentos de proteção social. Para os partidos que, na Europa, lutam pela reforma do modelo social, mas não por seu abandono, as eleições no Brasil vieram trazer um pouco mais de ar para respirar. No continente americano, as eleições no Brasil tiveram uma relevância sem precedentes. Duas perspectivas opostas se confrontaram. Para o governo dos EUA, o Brasil de Lula foi um parceiro relutante, desconcertante e, em última análise, não fiável. Combinou uma política econômica aceitável (ainda que criticável por não ter continuado o processo das privatizações) com uma política externa hostil. Para os EUA, é hostil toda política externa que não se alinhe integralmente com as decisões de Washington. Tudo começou logo no início do primeiro mandato de Lula, quando este decidiu fornecer meio milhão de barris de petróleo à Venezuela de Hugo Chávez, que nesse momento enfrentava uma greve do setor petroleiro, depois de ter sobrevivido a um golpe em que os EUA estiveram envolvidos. Tal ato significou um tropeço enorme na política americana de isolar o governo Chávez. Os anos seguintes vieram confirmar a pulsão autonomista do governo Lula. O Brasil manifestou-se veementemente contra o bloqueio a Cuba; criou relações de confiança com governos eleitos, mas considerados hostis -Bolívia e Equador-, e defendeu-os de tentativas de golpes da direita, em 2008 e em 2010.

Colunista do "New York Times" aconselha Obama seguir o exemplo de Lula


Globo vai a Dilma

Dilma falou antes, ao vivo, com Ana Paula Padrão e Adriana Araújo, do "Jornal da Record".
Depois falou à Globo em Brasília, no que William Bonner tentou descrever como "a bancada do 'Jornal Nacional'". Ouviu perguntas muito diversas das que a acompanharam no último ano na Globo, coisas como, entre mesuras e sorrisos, "Chorou?".
Por fim, falou ainda à TV Brasil e à RedeTV!.


DILMA LÁ
No meio do dia, nos sites e portais, as manchetes traziam as ligações de presidentes, sobretudo Obama, que "convida Dilma aos EUA", no G1, e "pede países ainda mais próximos", no R7. No UOL, "Obama parabeniza vitória histórica".
portais e também no exterior, Dilma viaja à África e depois ao G20, na semana que vem.



 
NAS CAPAS
Dilma em jornais de França, Portugal, Reino Unido, Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela, Espanha etc.

CONTINUIDADE E TESTES
Sob o título acima, na home do Council on Foreign Relations, com foto de Dilma, Julia Sweig apresentou o "primeiro olhar" do establishment americano de política externa. Em suma, "a eleição de Dilma assegura estabilidade nas políticas internas que impulsionaram o Brasil, mas China e EUA surgem como desafios de política externa".
Avalia a eleição como "endosso dos programas com assinatura de Lula" e sublinha a maioria no Congresso. Prevê maior domínio comercial e diplomático na região, maior presença na África e "grande papel" no G20, clima etc. Na relação com os EUA, vê "chance para novo começo", embora a vitória republicano nos EUA deva dificultar.

NÃO SUBESTIME DILMA
Na home da "Foreign Policy", sob o título "EUA não devem subestimar Dilma ou o Brasil", David Rothkopf, ex-governo Clinton, abre análise citando Tom Jobim, "o Brasil não é para iniciantes". E alerta que, "ao contrário do que dizem seus críticos, a mulher já conhecida apenas como Dilma não é nenhuma iniciante". Lista guerrilha, tortura e ascensão executiva, até "primeira-ministra de Lula".
E fala do "nível frustrante" das reuniões de que participa em Washington, contrastando com encontros recentes com o chanceler Celso Amorim e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. E com o embaixador Thomas Shannon.
Diz que "muitos nos EUA ainda precisam aprender a ver o Brasil como uma China ou França". E cobra uma "política não de iniciantes", que não veja o Brasil, por exemplo, como circunscrito à América Latina.

Mais pressão Marco Vicenzino, do Global Estrategy Project, organização de "pesquisa geopolítica" de Washington, publicou no "FT" o artigo "Brasil ascendente precisa explicar o que quer". Descreve o país como "enigma diplomático". E cobra, por exemplo, maior "segurança" corporativa, questionando o apelo à "carta nacionalista" no petróleo.

Ousadia Já Roger Cohen, colunista de política externa no "New York Times", escreve cobrando "ousadia" de Obama. E aconselhando seguir o exemplo de Lula, "agora prestes a deixar o cargo depois de uma presidência extraordinária". Lembra a proximidade do perfil de ambos -e como, até aqui, "Obama falha no teste de autenticidade" do personagem.

E TOME DÓLAR
No alto das buscas no Google News, com "Wall Street Journal", em reportagem ecoada até na CNN: "Ações no Brasil em alta, vitória de Rousseff reforça apetite por risco". E o semanário "Barron's", ligado ao "WSJ", publicou longo artigo alertando para os "Riscos geopolíticos da eleição nos EUA", com reflexos nas "grandes potências regionais". Jeff Kelintop, estrategista-chefe do LPL Financial, escreve que, com a redução das tropas no Iraque e no Afeganistão e a vitória republicana, o poderio militar dos EUA retorna e, com ele, "maior volatilidade nos mercados globais". A "maior seletividade" dos investidores deve afetar mais as áreas de "tensão", como o "nordeste asiático", em contraste às de "baixo potencial de risco, como a América do Sul".

Do que foi dito, ou não


As ressalvass ainda persistentes ao preparo de Dilma Rousseff para tornar-se presidente -algumas, de evidente seriedade, a maioria com os mesmos odores exalados durante a campanha eleitoral- remetem a um precedente já integrado à história e a duas constatações bem à mão.


JÂNIO DE FREITAS, Folha de S.Paulo

As semelhanças entre o tratamento opositor dado a Dilma Rousseff e a Michelle Bachelet, que neste ano passou a Presidência do Chile a Sebastián Piñera, chegam a parecer original e reimpressão. Médica e ex-ministra, na campanha e antes da posse Bachelet foi submetida à insistência de ressalvas e contestações à sua experiência administrativa, à capacidade de enfrentar os problemas econômicos que diziam avizinhar-se do Chile e ao traquejo para operar com as forças parlamentares. Era, lá, a antecipação de escritos e vozes do Brasil de hoje.

No Chile de tão forte direitismo, pesavam sobre Bachelet desconfianças de que sua Presidência teria as marcas das ideias socialistas com que era identificada e, de quebra, do ressentimento que lhe supunham: Bachelet também fora vítima da ditadura militar chilena. Lá, como cá.

Apesar de tantas semelhanças entre a ex-presidente e a eleita presidente, o passado de Michelle Bachelet nada prenuncia do futuro de Dilma Rousseff, mas nem por isso o registro é inútil: ao passar o governo, Michelle Bachelet vinha com 85% de aprovação, o maior índice já alcançado na América Latina. Justo tributo à sua Presidência de um país difícil.

Agora, as duas constatações. A primeira: todos os que apontaram falta de experiência administrativa em Dilma Rousseff -refrão que ecoou por mais de um ano- sabiam que ela chefiou o Gabinete Civil da Presidência desde a também notória demissão de José Dirceu, portanto, de 2005 a 2010. O Gabinete Civil é o centro nevrálgico da Presidência. Durante cinco anos, Dilma Rousseff esteve envolvida com todas as decisões administrativas da Presidência e, de algum modo, participou ou acompanhou as demais. É uma experiência de governo federal que nenhum outro candidato acumulou, nas eleições pós-ditadura e talvez também nas anteriores.

A experiência proporcionada por anos no Gabinete Civil não é garantia de alto desempenho no Gabinete Presidencial. Desde que a função seja exercida segundo o esperado, porém, não permite comparações, como conhecimento da administração federal, com anos no Ministério da Saúde, ou do Planejamento, ou outro ministério.

Com prefeitura e com governo estadual, a comparação nem faz sentido, assim como ocorre à experiência de congressista. Se Dilma Rousseff falhar, não será pela carência que mais lhe pespegaram indevidamente.

Em complemento, o ato mais irresponsável de toda a sucessão presidencial foi dispensado de assédio pelo ímpeto das ressalvas e contestações. A existência de vice-presidente no sistema governamental é o reconhecimento de que o país está sujeito à falta imprevista do presidente. Há outras soluções possíveis, mas essa é a brasileira. E comprovou-se, para ficarmos na história recente, quatro vezes. Duas em apenas 20 anos de democracia entre a ditadura de Getúlio e a ditadura dos militares, com as posses dos vices Café Filho e João Goulart; e outras duas no atual regime, com José Sarney e Itamar Franco.

A escolha do vice em uma chapa presidencial ou governamental é, portanto, ato de extrema responsabilidade. Ou, pelo menos, de responsabilidade equivalente àquela de que o candidato principal se pretende portador. Mas o vice de José Serra deveria representar, a meu ver, o maior motivo de preocupação em todo o processo sucessório. Emplacado, como presença do DEM na chapa, sem que o candidato principal nem sequer soubesse de quem se tratava, Indio da Costa era um risco de calamidade na eventual ocorrência de um incidente impeditivo de José Serra, se eleito.

Reconhecido como atrabiliário, violento, político recente, sem credenciais de talento especial ou maior competência, Indio da Costa -não por culpa sua- fez caber a José Serra o ato mais irresponsável e injustificável de toda a sucessão.
Sucessão, por sinal, que deixa muito a ser falado, de bom e, sobretudo, não.

Serra, perfil de desagregador



José Serra chegou ao final da segunda campanha presidencial - e mais uma vez derrotado - carregando dois grandes erros. Primeiro, o tucano não conseguiu anular a guerra eleitoral plebiscitária montada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Dilma Rousseff. Segundo, abrindo mão de se apresentar como candidato de oposição.

O Estado de S.Paulo

Serra não conseguiu convencer o eleitor de que ele deveria trocar a "continuidade" prometida por Lula por um novo governo tucano.

Depois de admitir que Lula era um personagem da política "acima do bem e do mal" e de dizer que "candidato a presidente não é líder da oposição", Serra fez uma campanha com tanto ziguezague que, diante, novamente, da acusação de "privatista", encheu o horário eleitoral com propaganda em que revidava acusando Dilma de "já ter vendido parte do pré-sal a estrangeiros".

A expectativa inicial era bem diferente. Quando o então governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves discursou no dia 10 de abril a cerca de 3,5 mil dirigentes e militantes do PSDB, DEM e PPS, no pré-lançamento da candidatura Serra, o tucanato identificou ali o mote para a campanha de oposição. Sob aplausos entusiasmados do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e apupos de toda a plateia, Aécio voltou sua artilharia de críticas e ataques ao PT e ao modo petista de governar.

Globo: o altar do sacrifício perdeu - (Derrotados da eleição – parte 1)


As Organizações Globo agiram como um partido de oposição durante as eleições que levaram Dilma Rousseff à presidência da República.

Preferiam continuar aliados ao candidato das elites, como sempre estiveram durante a ditadura militar e os governos Collor, Itamar e FHC. Mas perdeu, playboy.

O jornal O Globo virou um panfleto diário. Sem nenhum pudor, estampou um ódio incontido ao governo Lula e à sua candidata. Mas foi na bancada do Jornal Nacional que se ergueu o altar do sacrifício petista.

O padrão Globo de qualidade é fácil de entender. Consiste em tratar escândalos conforme a coloração partidária e os interesses da firma.

O caso Erenice Guerra mereceu do JN 35 sangrentos minutos de reportagem só na primeira semana de repercussão. Já a denúncia envolvendo o aloprado tucano Paulo Preto teve uma única reportagem, quase nada.

Em sua entrevista de dez minutos ao vivo no JN, Dilma Rousseff ficou infinitos 4 minutos e 40 segundos respondendo sobre aborto. Mais 3 minutos e 25 segundos falando sobre a onipresente Erenice.

Ao final, teve tempo para responder a mais uma perguntinha. José Serra pode discorrer levemente sobre nove questões. Isso, sim, é tratamento diferenciado.

Com a vitória de Dilma, vai ser constrangedor o olhar de William Bonner e Fátima Bernardes. Cúmplices que são, nem vão tocar no assunto de como espremeram e destrataram a presidente eleita.

E tanta gentileza e profissionalismo com o candidato da família Marinho. Em vão.

São pagos pra isso, têm filhos para sustentar. Ok. Podem levar essa derrota pra casa. E convidar Arnaldo Jabor e Merval Pereira para jantar. Haja estômago. Mas amigos são fundamentais na hora da derrota.


O Provocador 

Vitória de Dilma Rousseff tem grande repercussão na imprensa internacional

A vitória de Dilma Rousseff no segundo turno da eleição presidencial neste domingo teve grande repercussão na imprensa internacional. Sites de jornais e TVs destacam o ineditismo de uma mulher no poder em Brasília e o peso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na vitória da candidata petista. Leia abaixo:

EUA

New York Times - O jornal americano deu destaque às eleições brasileiras ao noticiar que a escolhida pelo presidente Lula foi eleita para sucedê-lo na Presidência da República. Na matéria, Dilma Rousseff é apresentada como uma ex-líder guerrilheira que foi eleita presidente do Brasil depois de prometer continuar com as políticas sociais que têm tirado milhares de pessoas da linha da pobreza e têm feito do Brasil uma das mais promissoras economias do mundo. Wall Street Journal

"A eleição eleva um burocrata relativamente desconhecido para o comando do maior país da América Latina, como ele esculpe um papel maior na economia global. O Brasil se tornou a oitava economia maior do mundo nos últimos anos, dando-lhe força suficiente para ajudar a empurrar os EUA e a Europa para incluir países emergentes nas negociações sobre a crise financeira global", disse a publicação

CNN - A rede de TV americana destacou a vitoriosa Dilma como o braço direito de Lula e responsável "por ajudar o Brasil a se transformar em um dos maiores líderes mundiais no setor de energia".

França

Le Figaro - A manchete do site exaltou o resultado da eleição presidencial brasileira: "Dilma Rousseff, primeira mulher presidente do Brasil". Segundo o jornal, a vitória da herdeira de Lula mostra que os brasileiros emitiram a mensagem de que desejam continuidade do governo do atual presidente, que deixa o poder com 82% de aprovação. Mas o "Le Figaro" ressalta que as eleições também marcaram uma polarização clara entre os mais pobres e os mais ricos. "Basta entrar em um restaurante frequentado pela classe média para perceber esse fenômeno: aqueles que estão sentados votam no Serra, e os que estão de pé e fazendo o serviço votam Dilma", diz André Singer, cientista político da Universidade de São Paulo ouvido pelo jornal francês. O "Figaro" também destaca que a divisão entre eleitores de Dilma e Serra é geográfica, sendo ao norte vermelho (a cor do Partido dos Trabalhadores) e ao sul azul (cor do PSDB). O fato coincidiria, segundo o jornal, com a predominância do Bolsa Família, programa de transferência de renda.

Le Monde - O site do jornal de Paris ressaltou que a herdeira de Lula, que sobreviveu a um câncer, é desprovida de carisma, mas com reputação de dama de ferro quando estava à frente da Casa Civil. O periódico também lembrou que Dilma foi presa e torturada no início dos anos 70, quando combatia a ditadura militar. Segundo o diário, a presidente eleita era desconhecida até poucos meses e deve sua eleição ao apoio ativo do presidente Lula, que deixa o governo com popularidade recorde. Dilma também teria se beneficiado em sua campanha "dos resultados econômicos do governo Lula, com um crescimento espetacular que permitiu que milhões de brasileiros deixassem a linha de pobreza". O "Monde" afirma, ainda, que a polêmica sobre o aborto, um tema delicado para evangélicos, privou a candidata petista de uma vitória ainda no primeiro turno.

Le Parisien - Destacou que pela primeira vez na História uma mulher estará na liderança do país e que Dilma venceu Serra nas urnas com folga. O jornal apresenta a presidente eleita como "uma espécie de primeira-ministra do governo de esquerda do carismático Luiz Inácio Lula da Silva". O jornal afirma que Dilma Rousseff foi beneficiada pela enorme popularidade de Lula, que tirou da pobreza 29 milhões de brasileiros com uma economia em franca expansão. E atribui à candidata verde Marina Silva, terceira colocada, o fato de Dilma não ter vencido as eleições ainda no primeiro turno.

Libération - O triunfo de Dilma também foi a manchete do jornal francês, que também se refere a Dilma como o braço direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que seria a primeira mulher presidente do gigante latino-americano.

Reino Unido

Independent - Segundo o jornal, Dilma Roussef parece ter feito o suficiente para aplacar as dúvidas dos eleitores religiosos e pode se tornar um dos líderes mais intrigantes da América do Sul. Destacou, ainda, Lula como figura decisiva para a vitória petista. "Ela derrotou José Serra no 2° turno, um político de carreira da capital financeira, São Paulo, e parece ter feito o suficiente para aplacar as dúvidas dos eleitores religiosos, que lhe custou a vitória absoluta no primeiro turno de votação quatro semanas atrás", escreveu o jornal.

The Economist- No blog do site da revista "The Economist", o correspondente da América Latina, Caribe e Canadá diz que "não houve surpresas" na eleição brasileira. A vida política de Dilma Rousseff, que nunca havia concorrido a um cargo público, foi "nos bastidores", afirma a publicação. "Pouco era sabido dela ou de sua personalidade. Serra era muito mais experiente e conhecido", diz a publicação. A revista acrescenta que "foram os pobres e as regiões menos desenvolvidas do Nordeste que deram a ela a vitória. Os ricos e mais bem-educados preferiram Serra, mas o Brasil tem poucos deles". Ainda de acordo com o site da revista, os brasileiros, perguntados sobre se preferiam continuidade ou experiência, escolheram a continuidade". A publicação completa que a escolha de Dilma para ministro das Relações Exteriores deve dar uma ideia se ela pretende frear a política externa aventureira de Lula e que o ministro da Economia escolhido vai mostrar se Dilma levará a sério a tarefa de colocar os gastos públicos sob controle.

The Financial Times - O jornal britânico Financial Times deu destaque na primeira página de seu site, com direito a pequena foto e chamada sucinta 'Roussef ganha presidência brasileira'. O jornal financeiro destaca que a vitória aponta um cenário favorável à continuidade das políticas implantadas pelo governo Lula.

Espanha

El País - "Dilma terá pela frente uma tarefa formidável em um dos países que melhor representa a emergência de novas potências mundiais", destacou o diário mais conceituado da Espanha. Segundo ele, "Rousseff se converterá, aos 62 anos, na primeira presidente mulher do Brasil, e terá pela frente uma tarefa formidável em um dos países que melhor representa a emergência de novas potências mundiais." O "El País" creditou a Lula grande parte do triunfo petista: "Lula, que a elegeu como candidata presidencial contra a opinião de muitos de seus companheiros do PT, foi um elemento decisivo na vitória, mas, como mantém o ex-ministro e sociólogo Roberto Mangabeira Unger, 'agora começa um momento destino, com uma pessoa diferente e com um trabalho que terá suas próprias exigências'".

América Latina

Clarín (Argentina) - O Clarín, principal jornal da Argentina, ressalta em a vitória "contundente" de Dilma, primeira mulher a exercer o cargo de presidente do "país vizinho". De acordo com a publicação, Lula foi a grande estrela da campanha de Dilma e diz que ele "falou mais do que ela nos atos eleitorais. "A chegada dela à Presidência não seria possível sem o empenho pessoal de Lula em sua candidatura, à qual conseguiu transferir parte de sua popularidade na forma de votos", afirma. "Os assessores de Rousseff, por sua vez, se encarregaram de adoçar seu discurso e de dar ao aspecto pessoal dela uma dose de coquetismo e maior feminilidade, com a intenção de mobilizar o voto das mulheres (...) A nova Rousseff, por baixo dessa imagem de elegância e jovialidade que procura transmitir, se topa com a Rousseff de sempre, que, apesar de apresentar uma cara mais amável, continua sendo uma mulher resolvida, diz o jornal.

La Nación (Argentina) - Na chamada do site do jornal de Buenos Aires, "os brasileiros apoiaram a continuidade do atual modelo de êxito construído por Lula da Silva". Em trecho da matéria, o jornal afirma: "Serra enfrentou dificuldades para articular um discurso opositor a Lula, o presidente mais popular da História recente do Brasil, com 83% de imagem positiva".

El Comercio (Peru) - "Quem é Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil?", pergunta o diário mais importante de Lima. "Contam aliados do atual presidente que este, depois de ganhar sua primeira eleição presidencial em 2002, se dirigiu à sua sucessora e lhe disse: 'Você vem comigo para Brasília'."

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